A casa dos fundos.

Página 98.

Será que Richard e Patrícia, iriam ficar juntos ao se verem como estava previsto entre eles? Era a única tormenta que permanecia em mim. Afinal a hipótese era completamente aceitável, pois no fundo eu sabia que os momentos que para mim eram cheios de sentimentos, para Richard eram completamente carnais. Ele queria apenas saciar seu desejo, porém isso alimentava minhas esperanças e meu vício. Que óbvio.
Finalmente o dia tão temeroso chegou.
Meus olhos ficavam fixos no relógio, o dia inteiro até chegar a hora de os alunos serem dispensados. Eu sabia que se eu perguntasse algo a Richard ele não iria me contar, por dois motivos: Ou para não me machucar mais ainda, ou para não alimentar possibilidades em meu fútil coração.
Então, tive que esperar mais uma hora para receber atualizações que a internet iriam me trazer.

E assim o fiz.. logo fui ao Orkut, Msn, Fotolog, Twitter e nada.
O que o silêncio quis dizer?
Tentei me distrair e pela primeira vez “mordi” todas as minhas unhas da mão. Ansiedade acumulada!
O que eu queria ver assinalava todo o meu destino temporário, iria dizer se eu continuaria tendo Richard ou não. De todos os assuntos, era o que mais me dava medo no momento.

Á essa altura, Carlota entrou no Messenger – esqueci de lhes contar que nos tornamos amigas, de sinceridade mútua, Carlota também era amiga de Patrícia, e não falava mais com Richard, estas anotações são só para lhes manterem a par dos acontecimentos – desabafei com ela.
Carlota sempre me dava os melhores conselhos, percebi um anjo que era impossível enxergar antes pelo meu terrível ciúmes entre ela e Richard. Descobri que enquanto estavam juntos, Richard sempre falava muito bem de mim, o que foi mais uma estrelinha para meu caderno de esperanças. 

Voltando ao foco, no auge do desespero, tentando jogar em palavras tudo que estava sentindo, Carlota tentou me ajudar. De repente, surgiu com a informação que iria mudar o meu estado emocional..

Carlota diz: A Patrícia acabou de me falar que hoje, eles conversaram bastante no intervalo.

Ah, tentar descrever as batidas do meu coração novamente ficaria muito repetitivo, não preciso dizer-lhes o quanto ele acelerou. Trilhões de pensamentos surgiram e se foram! Eu aprendi naquele dia a ficar com medo de raciocinar.. Tentei parar de deduzir.

Sophie diz: E..?
Carlota diz: E aí que..
Sophie diz: Por favor amiga, não me deixe nessa angústia! Conte-me logo!
Carlota diz: Tá bom. Desculpe-me.

Enquanto ela digitava, seu MSN desconectou-se repentinamente. 
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH!
Minha mente gritou. Que agonia desgraçada – perdoem-me pela palavra! – surgiu naquele momento.
Se demorasse mais, iria roer minha própria pele por falta de unha. Não tinha o número de Carlota. Como fazer para saber agora? Eles não publicaram nada e minha curiosidade estava me deixando exausta de sentimentos cansativos e pré-acionados.

O "tic-tac" do relógio estava em relevo, seu barulho era estrondante.
Finalmente Carlota se reconectou! Ah, que alívio surgiu em minha aflição.

Carlota diz: Desculpe-me novamente gatinha, minha internet deu á loca aqui! 
Sophie diz: Tudo bem! Sem problemas.

Mentira, teve todo problema do mundo para meu estado de transtorno, mas a culpa não era dela.

Carlota diz: Então, onde estávamos?
Sophie diz: Você ia me contar o que aconteceu entre Richard e Patrícia.
Carlota diz: Ah, é mesmo! Então, ela me contou que..

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