A casa dos fundos.

Página 84.


No dia seguinte, uma espécie de tormenta invadiu minh’alma. Digo alma, porque foi sobrenatural o que senti.
Foi ressaca de tristeza, demasiadamente cruel.
Acordei com o maior ódio possível de estar ali, de olhos abertos, respirando e sentindo toda a tortura que a vida havia me preparado.
Não quis comer. Um dia quem sabe conseguiria morrer de fome. Patético.

Vamos Sophie, distrair a mente. Resgatar a garota cheia de sonhos que havia. Ok, mais realista, vamos apenas tentar distrair a mente, - falei mentalmente para mim mesma!
Liguei o computador, - quantas vezes eu  já citei isso? O vício do cérebro, mesmo quando quase detonado - d
ireto ao Messenger, mas dessa vez nem cheguei a ficar Online, porque o nome de Richard em disponível causou um impacto em mim, e ao aparecer sua foto o "terremoto" interior começou.
Veio no meu subconsciente escutar determinada música, e só me satisfiz quando a coloquei no último volume.
Comecei a gritar desesperadamente a letra da melodia: “I HATE EVERYTHING ABOUT YOU, WHY DO LOVE YOU?” (EU ODEIO TUDO SOBRE VOCÊ, ENTÃO PORQUE TE AMO?)
Lágrimas caiam inconstantemente e minha voz cuspia sentimentos. Posso dizer com todas as letras que cantei com o coração!
A música era do grupo ‘Three Days Grace’, seu título era a primeira parte da frase citada acima, e toda sua tradução retratava exatamente tudo que eu sentia no momento.

O botão “repetir” no aplicativo de áudio do meu computador tornou-se meu favorito.
Com a voz quase rouca e o choro incontrolável, ‘mentalizava’ na coragem de acabar com tudo isso logo.
Confesso que respirei mais de dez vezes até o receio sumir. "Enchi o peito" de valentia, e abri a porta de meu quarto a procura da tesoura de costura da minha mãe. Ela era enorme, perfeita para me perfurar em um lugar estratégico para que a morte fosse rápida e porém muito dolorida, até porque, o objetivo de quem tenta se matar, é fazer com que a dor física seja pior do que a emocional. Mas no mesmo instante em que abri a porta, minha mãe apareceu.. Com os olhos cheios de preocupação, me doeu ver que minha dor doía nela, - jogo de palavras tristes.

- Filha, o que foi? Porque esses gritos?

Prostrei-me de joelhos e meu choro misturou-se com berros e soluços.


- Sophie, se controla!


Disse com dificuldade..


- Me abraça mãe, só me abraça por favor, porque está doendo demais!

Enfim, continuei viva.
[...]


A partir 'daquilo'
, o tempero dolorido foi crescendo e a criatividade de acabar comigo também. 
Conversas entre mim e Richard tornaram-se mais constantes, mas nada resolutivas, devo ressaltar que só eram virtuais, porque pessoalmente ele não olhava para mim.
Minha mãe cada vez mais desesperada com minha situação, e meu amor pelo meu ex namorado só crescia de porções infinitas! Oh! Sentimento masoquista! [...]

Com o passar dos dias, minhas idas sem compromisso até a casa dele se tornaram constantes. Alimentar o vício de tê-lo, mesmo acabando com a minha dignidade era a única solução para uma anestesia temporária. Conceder o que ele queria e agradá-lo, ao meu pensamento era a forma de um dia reconquistá-lo. 
Em uma das idas, ele foi ao banho enquanto eu tentei achar algo em seu computador, qualquer coisa que demonstrasse algum sentimento que fosse maior que desejo por mim. Em suas pastas de Registros de Conversas, estava um ícone de Letícia. Imaginei que por ela ser minha amiga, poderia de maneira autônoma, ir influenciando Richard em palavras, já que era a única que me aguentava todos os dias falando dele e tentando reconfortar minha dor. Era ela, que me manterá tranquila, ao me deixar ciente de que ele não ficava com ninguém na escola! Ela era minha anjinha de relacionamento.
Cliquei e abriu.. E para minha aterrorizante surpresa e reação, devo ilustrar o ritmo dos meus batimentos com palavras e símbolos:
 

TuTunTuTunTuTun..TuTunn...................................Tu...................................................................

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