A casa dos fundos.

Página 102.


- Oi, por favor, a Carlota?
- Quem gostaria?
- É a Sophie.
- Só um minuto.

Que eternidade aterrorizante. Ele me olhava, sua afeição era de raiva por qualquer atitude tomada, mas seu olhar era um apelo para continuar com a ligação.

- Oi Sô.

Respondi com a voz trêmula.

- Oi.. Vou ser direta. 
- Nossa, mas que timbre abalado. Você está bem?
- Não, mas isso não vem ao caso.
- O que houve?
- Volte com o Richard.
- O que? Como é que é?
- Não me faça perguntas, não posso responder agora..

Meus olhos inundaram.

- Porque, ele que pediu pra você fazer isso?
- Não literalmente, mas é necessário.
- Como assim? Não estou entendendo nada!
- Não posso te dar detalhes.
- Você está na casa dele?
- Sim.
- Hunf, não quero fazer nada que te machuque mais ainda.
- As dores serão as mesmas, você ficando com ele ou não, então a melhor opção neste caso é deixar vocês serem felizes. Tenho que desligar agora.
- Tudo bem, mas..
- Tchau Carlota.

Fiquei imobilizada. Fui contra tudo que eu achava certo, tive a inutilidade de abrir de mão a minha felicidade, não literalmente, meu coração ridículo ainda tinha esperanças, de ela recusar, de deixar prevalecer a nossa amizade, era uma hipótese. Richard ficou me olhando, engoliu a seco seu orgulho mas não o cuspiu.. Apenas disse..

- Não precisava!
- Satisfeito? Tô indo embora.. Tchau.

Virei-me com tremendo arrependimento de toda aquela situação, mas me sentia um trapo depois de todas as palavras jogadas ao vento para os quatro cantos do mundo. Para ser contraditório, Richard mostrou sua hipocrisia.

- Espera.. Não vai embora.
- Por quê? Tem algum elogio a mais pra me dar?

Sarcasmo.

- O que você vai fazer? Para onde você vai ir?
- Isso já não importa mais. 
- Desculpa..
- Você já disse isso.

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