A casa dos fundos.

Página 89.

Tampei meus ouvidos para não escutar o restante, me escondi em uma brecha escura que havia ao lado, entre banheiro e casa.
Esperei o seu parente sair.
Por minha sorte, Dylan, deixou a porta aberta. - Parece que tudo estava conspirando a meu favor!
Entrei, e tranquei com a chave que estava pendurada na maçaneta, de maneira silenciosa. Coloquei o sinísmo no rosto e apareci em seu quarto.

ESPANTO!

- O que você está fazendo aqui?
- Precisamos conversar.
- Não tenho nada pra conversar com você.
- Porque não? Foi você, você mesmo que disse que eu era sua exceção. Não lembra? Disse que só precisava de um tempo. Que não fazia questão de contato com ninguém que viesse a ficar, mas que comigo, queria ter uma amizade, porque eu era diferente. Porque eu fui sua primeira namorada, primeiro amor. Claro que você lembra! Seus olhos te denunciam. Só queria saber aonde foram parar o sentido dessas palavras.

Houve um silêncio mutuo, que foi encerrado pelo próprio Richard.

- Já terminou?
- Você não tem nada para me dizer?
- Não, quem veio aqui foi você! Então fala logo para você poder ir embora. 
- Para de me tratar assim!
- É o que você merece. 
- Mereço por quê? Por te amar tanto?
- Mas eu não te amo, entenda isso!
- Eu sei que não, só quero tua amizade, é o mínimo que necessito!
- SOPHIE, VAI EMBORA!
- Quer que eu vá embora?
- É, quer que eu desenhe?
- Então me dá um abraço.

Risos de deboche.

- Me poupe!
- É o mínimo que posso pedir, é tudo que quero. Sinto sua falta. Darei um tempo a mais, para esfriar sua cabeça, não quero atrapalhar sua vida, só quero te ter de alguma forma na minha.

Ficou pensativo.

- Tá bom, mas um abraço rápido.
- Obrigada.

Eu sorri, e me senti nas nuvens quando me envolvi em seu abraço.
Foi um sentimento tão bom, que eu não queria que acabasse, e enquanto sua boca permanecia muda, fui aproveitando o sentir de seus braços.
E então, um som interrompeu a magia do meu momento..

- Pronto. Tchau! Chispa!

Naquele momento, entendi que minhas chances eram mínimas.
O sofrimento, foi escondido pelo olhar fixado em um plano B.
Como um súbito de idéias repentinas, lembrei-me da promessa, mas o único jeito de solucionar o problema seria quebrá-la. Seria um teste? Estava no auge do desespero, não havia muito que pensar. Já me sentindo culpada, fiz o que tinha que fazer.

Abraçei-o mais forte, e disse sussurrando em seu ouvido..

- Só mais um pouquinho.

Em qualquer outra situação ele teria me expulsado, mas naquela, ele permaneceu imóvel e calado, e eu curiosa para saber o motivo.

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