A casa dos fundos.
Página 97.
Sophie diz: É. Não agüentava mais aquele hospital.
Richard diz: Mas e teu corpo?
Sophie diz: Doendo um pouco. Não era nem para eu estar aqui sentada, mas não agüento mais o tédio de ficar paralisada em uma cama.
Richard diz: Você tem que ficar de repouso!
Sophie diz: Depois. É surtante, sério!
Richard diz: Imagino.
Sophie diz: Quando vou te ver?
Richard diz: Quando você melhorar.
Sophie diz: Estou precisando de umas massagens.
Richard diz: Quem sabe depois não te faço algumas.
Sophie diz: Só promete.
Richard diz: Dessa vez eu cumpro, mas não se acostuma.
Sophie diz: (Risos) Vou contar as horas. Como vai a vida?
Richard diz: Na mesma.
Sophie diz: Hum. Acho que vou deitar, a dor está ganhando freqüência.
Richard diz: Então vai lá, quero ver você boa logo, logo viu?
Sophie diz: Eu também. Beijo, boa noite ♥
Richard diz: Boa noite amor, fica com Deus, melhoras ♥
O primeiro pensamento infantil que veio a minha mente, foi que se eu soubesse que ser atropelada traria tantos benefícios, teria tentado antes. Tão tola e cega. Mas quantas lágrimas desceram conseqüentemente, pela primeira vez de felicidade após tanta escuridão.
Ah! Como era gostoso experimentar momentos de alegria, me sentir querida por alguém que por tanto eu prezava. Um simples ‘amor’, um simples coração, que não queria dizer nada, mas para mim dizia tudo. Êxtase de delírio, prazer infindo.
Todos os 'roxos' e marcas em minha pele pareciam imperceptíveis. A dor física tornou-se tão pequena, que até esqueci-me de tudo que acontecera. Só queria vê-lo logo e ser recebida com um grande abraço, sentir suas mãos tocando minha pele para uma massagem relaxante.. Lembrar por um momento que tudo está bem, esquecer as palavras de pessoas me deixando para baixo, chamando-me de louca e longinquidades. Esquecer todas as situações horríveis por qual eu tinha passado, e ver a paz invadir meu interior por momentos. Eu ansiava isso, sentir que tudo que eu recebia era carinho, e que a única visão que os demais tinham de mim era de alguém normal. Ah, quanta coisa se passou por minha mente, por um pequeno gesto de preocupação.
Dias depois nos reencontramos. Contra a vontade dele fui á sua casa, mas ao me ver toda sua raiva passou. Tive o calor de seu beijo outra vez e a serenidade de seus braços. Me senti novamente viva e dependente de seus carinhos. Seu sorriso era como pétalas aveludadas que massageavam meu coração. Que tranqüilidade era tê-lo. Vicio saciado. Amor encontrado! Nada mais importava, me sentia tão amada, mesmo que não fosse.
Após isso, fui sobrevivendo. Com a ânsia pelo medo do dia em que as aulas iriam voltar. Fui aprendendo a viver de momentos com Richard, e todos aqueles que não faziam parte deste, eram apagados de minha vida como se nunca houvessem existido.
Sophie diz: É. Não agüentava mais aquele hospital.
Richard diz: Mas e teu corpo?
Sophie diz: Doendo um pouco. Não era nem para eu estar aqui sentada, mas não agüento mais o tédio de ficar paralisada em uma cama.
Richard diz: Você tem que ficar de repouso!
Sophie diz: Depois. É surtante, sério!
Richard diz: Imagino.
Sophie diz: Quando vou te ver?
Richard diz: Quando você melhorar.
Sophie diz: Estou precisando de umas massagens.
Richard diz: Quem sabe depois não te faço algumas.
Sophie diz: Só promete.
Richard diz: Dessa vez eu cumpro, mas não se acostuma.
Sophie diz: (Risos) Vou contar as horas. Como vai a vida?
Richard diz: Na mesma.
Sophie diz: Hum. Acho que vou deitar, a dor está ganhando freqüência.
Richard diz: Então vai lá, quero ver você boa logo, logo viu?
Sophie diz: Eu também. Beijo, boa noite ♥
Richard diz: Boa noite amor, fica com Deus, melhoras ♥
O primeiro pensamento infantil que veio a minha mente, foi que se eu soubesse que ser atropelada traria tantos benefícios, teria tentado antes. Tão tola e cega. Mas quantas lágrimas desceram conseqüentemente, pela primeira vez de felicidade após tanta escuridão.
Ah! Como era gostoso experimentar momentos de alegria, me sentir querida por alguém que por tanto eu prezava. Um simples ‘amor’, um simples coração, que não queria dizer nada, mas para mim dizia tudo. Êxtase de delírio, prazer infindo.
Todos os 'roxos' e marcas em minha pele pareciam imperceptíveis. A dor física tornou-se tão pequena, que até esqueci-me de tudo que acontecera. Só queria vê-lo logo e ser recebida com um grande abraço, sentir suas mãos tocando minha pele para uma massagem relaxante.. Lembrar por um momento que tudo está bem, esquecer as palavras de pessoas me deixando para baixo, chamando-me de louca e longinquidades. Esquecer todas as situações horríveis por qual eu tinha passado, e ver a paz invadir meu interior por momentos. Eu ansiava isso, sentir que tudo que eu recebia era carinho, e que a única visão que os demais tinham de mim era de alguém normal. Ah, quanta coisa se passou por minha mente, por um pequeno gesto de preocupação.
Dias depois nos reencontramos. Contra a vontade dele fui á sua casa, mas ao me ver toda sua raiva passou. Tive o calor de seu beijo outra vez e a serenidade de seus braços. Me senti novamente viva e dependente de seus carinhos. Seu sorriso era como pétalas aveludadas que massageavam meu coração. Que tranqüilidade era tê-lo. Vicio saciado. Amor encontrado! Nada mais importava, me sentia tão amada, mesmo que não fosse.
Após isso, fui sobrevivendo. Com a ânsia pelo medo do dia em que as aulas iriam voltar. Fui aprendendo a viver de momentos com Richard, e todos aqueles que não faziam parte deste, eram apagados de minha vida como se nunca houvessem existido.
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