A casa dos fundos.

Página 104.


Dessa vez eu não acreditei no que li. Lorrane jamais faria isso comigo.. Não teria motivos, até porque eu realmente havia sido atropelada, e ela foi lá ao hospital, ver todo meu sofrimento e não teria motivo algum para inventar uma mentira dessas. E Richard? Pra que inventaria isso também? Pra se afastar de mim? Patético. Que palavras sem nexo e atordoantes..

- Que ridículo! Eu não brincaria com uma coisa dessas. Você viu os roxos na minha pele! É tão fácil acreditar nos outros e ficar contra mim? Tão fácil querer arranjar motivos para se afastar não é?
- Ela não é os outros, é sua melhor amiga!
- Se fosse mesmo não teria inventado uma mentira dessas!

Odiei Lorrane naquele momento, mas logo tudo faria explicado, logo ficaria claro quem eu realmente deveria odiar.

- Sophie, chega! Não quero mais ouvir 'lorotas', vai embora!

Olhei fixamente em seus olhos, perguntei com convicção e medo da resposta..

- Richard, tem certeza que é só por isso que você quer parar de falar comigo?

Ele pensou para responder. Suspirou e disse com receio..

- Carlota não gosta que eu fale com você..

Instantaneamente meu sangue “ferveu”.
Eu não tive escolha em pedir para eles voltarem, mas eu poderia ter continuado a ficar com ele, sem ela saber.. Como ocorria antes, mas não o fiz. Privei-me dele torturando minhas vontades pela amizade que um dia eu e Carlota tivemos. Mas ela, no cumulo de seu egoísmo, pediu para Richard parar de ser meu AMIGO? Que atitude horripilante! Mas não tanto quanto a que eu estava prestes á tomar..
Eu sai da lucidez naquele momento.. E um subconsciente com vida vingativa entrou em mim para não sair tão cedo! Não era mais eu.. Mas fiz..

- Tá bom, se é assim que ela quer.. Só me dá um último abraço antes de eu ir?

Ele com sua tremenda generosidade e falta de paciência o deu, queria se livrar de mim o mais rápido.. Parecia estar com medo, medo de cair. Então me lembrei o que aconteceu da última vez que ficamos tanto tempo abraçados.. Porém, quando percebi Richard ao se soltar.. Um súbito de ódio que estava pairando de mim sobre Carlota gritou uma ação louca.. Fingi de repente estar passando mal, como se uma falta de ar intensa me dominasse, forjei mal conseguir ficar de pé. - Meus anos de teatro teriam de servir para alguma coisa!
Richard me conhecia bem, ele hesitou em acreditar, mas minha insistência o causou preocupação.
Pedi um remédio e ele me convidou para entrar.. Tomei mesmo sem ter nada, afinal já estava acostumada com genéricos químicos em meu organismo para tentar suicídios. Sentei e sua cama e atuei estar mole e sonolenta, zonza.
Meu objetivo, era apenas ganhar um beijo que á tento tempo eu queria e de brinde vingar-me de Carlota. Faria o que fosse preciso, mas não precisei fazer nada.. Richard era cafajeste, o que facilitou as coisas. Fiquei uns 10 minutos sem falar nada, mas ele falou..

- Está melhor?
- Tô melhorando.. Obrigado pela ajuda.
- Queria poder te ajudar mais..
- Me dá apenas um abraço, é o suficiente.

E ele me abraçou e permaneceu com seus braços envolta de mim..

- Nossa, você realmente está péssima!

Eu nem estava mais fingindo tanto, eu não entendi o porquê daquele comentário, mas apenas concordei..

- É.
- Se eu pudesse fazer alguma coisa..

Me mantive em silêncio.

- Só que ninguém poderia saber..

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A minha confusão

A casa dos fundos.

Heteronimo