A casa dos fundos.
Página 94.
(TumTumTumTumTumTumTumTumTum)
Quantas vezes vocês não leram isso aqui? Meu coração gosta mesmo de aparecer, de maneira frágil e acelerada. Impulsos me impulsionavam. Ironia. Respirei fundo.
Dizem que quando estamos em nossos últimos minutos de vida, ou quando achamos que vamos morrer, toda nossa história passa em nossa mente, de fato isto ocorreu. As lembranças deveriam ter feito com que eu me agarrasse a um amor ao dom de respirar, porém só me fez ter certeza do suposto lapso de loucura que surgiu e permaneceu.
Ao final de uma ladeira, em que os carros desciam descontroladamente eu estava, a noite e sua escuridão era a clareza mais obvia que eu poderia enxergar naquele momento. Confesso, lá no fundo havia um mínimo de medo gritando, refleti sobriamente sobre a minha próxima ação.
Pensei na hipótese de voltar para a casa, viver minha vida, esquecer tudo que me fazia sofrer. Mas uma voz estridente me disse que não ia conseguir, e tudo que me veio em pensamentos foram todas as coisas terríveis em que havia passado.
Ah, que inocência doce, quem dera ter ouvido a hipótese surgida, mal imaginava as assombrosas coisas que a vida ainda tinha para mim!
1,2,3,4,5,10,20,30 perdi a conta. Lágrimas caiam ao chão de maneira incontrolável. Doía muito.
Sentia-me uma mera vítima pisoteada pelos sentimentos de meu ex-namorado. Mas não o culpava pelo que sentia, só pelo que não queria sentir. Todos contra mim, nenhuma luz ao fim do túnel. Eu queria viver, mas não queria continuar sofrer.
De repente entendi, o objetivo da maioria dos suicidas.. Machucam-se por fora, para tentarem matar a dor que existe por dentro.
Fechei meus olhos. Tentei tranqüilizar minha mente, quatro passos foram dados.. PUFT!
[..................................................................................................]
[..................................................................................................]
Acordei com uma luz branca e monótona horas depois.
Percebi que o branco não era só na luz, e sim em tudo ao meu redor.. Eu estava no céu? Além de “louca” havia me tornado desprovida de inteligência. Não, eu não havia morrido. Era incapaz disso! Atitude perfeita, não era para eu continuar ali.
Naquele momento, o respirar doía por dois motivos: Machucada emocionalmente e fisicamente também. Me mover doía muito. Consegui apenar observar os arranhões em meus braços. Agulhas em minha veia.
Eu era a mais nova colecionadora de dores.
Tentei me lembrar o que havia acontecido, mas havia uma limitação que me permitia ter a memória somente até os meus quatro passos.
Ouvi um barulho na porta, era minha mãe com os olhos inchados de tanto chorar. Perguntou-me desesperadamente:
- Porque você faz isso com a sua mãe?
Eu pensei: Não é com você, mãe. É comigo! Porém permaneci em silêncio, minha boca trazia um desconforto agudo quando tentava pronunciar palavras.
Me senti a pior das vilãs em vê-la naquele estado, a única coisa que doía mais do que minhas angústias, era ver a minha mãe sofrer por mim.
De pouco a pouco recebi visitas, todas indignadas e preocupadas. Algumas orações e meu pai decidiu que eu precisava de um psicólogo. Minha única opção foi aceitar. Mas eu não estava louca! Eu estava apenas farta daquela situação e eu não sabia sair dela, porque era o sentimento que me dominava. Eu não conhecia ao certo o motivo, só entendia que faria qualquer coisa para todo aquele abismo acabar.
Havia duas possibilidades de soluções em minha mente: A mais provável era me sentir amada por ele outra vez: missão impossível. Acabar comigo e com o doer: estava parecendo igualmente impossível.
Fiquei com certo trauma daquele lugar. Os minutos lá pareciam anos!
Depois de pessoas diferentes á cada dia, percebi que faltava alguém. Ele não havia ido me visitar, nem me ligado. Será que alguém tinha avisado? Ele não se preocupou? Ele estava ocupado demais com seu novo “lance”? Que tormenta de mistério! Necessitava de informações.
(TumTumTumTumTumTumTumTumTum)
Quantas vezes vocês não leram isso aqui? Meu coração gosta mesmo de aparecer, de maneira frágil e acelerada. Impulsos me impulsionavam. Ironia. Respirei fundo.
Dizem que quando estamos em nossos últimos minutos de vida, ou quando achamos que vamos morrer, toda nossa história passa em nossa mente, de fato isto ocorreu. As lembranças deveriam ter feito com que eu me agarrasse a um amor ao dom de respirar, porém só me fez ter certeza do suposto lapso de loucura que surgiu e permaneceu.
Ao final de uma ladeira, em que os carros desciam descontroladamente eu estava, a noite e sua escuridão era a clareza mais obvia que eu poderia enxergar naquele momento. Confesso, lá no fundo havia um mínimo de medo gritando, refleti sobriamente sobre a minha próxima ação.
Pensei na hipótese de voltar para a casa, viver minha vida, esquecer tudo que me fazia sofrer. Mas uma voz estridente me disse que não ia conseguir, e tudo que me veio em pensamentos foram todas as coisas terríveis em que havia passado.
Ah, que inocência doce, quem dera ter ouvido a hipótese surgida, mal imaginava as assombrosas coisas que a vida ainda tinha para mim!
1,2,3,4,5,10,20,30 perdi a conta. Lágrimas caiam ao chão de maneira incontrolável. Doía muito.
Sentia-me uma mera vítima pisoteada pelos sentimentos de meu ex-namorado. Mas não o culpava pelo que sentia, só pelo que não queria sentir. Todos contra mim, nenhuma luz ao fim do túnel. Eu queria viver, mas não queria continuar sofrer.
De repente entendi, o objetivo da maioria dos suicidas.. Machucam-se por fora, para tentarem matar a dor que existe por dentro.
Fechei meus olhos. Tentei tranqüilizar minha mente, quatro passos foram dados.. PUFT!
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Acordei com uma luz branca e monótona horas depois.
Percebi que o branco não era só na luz, e sim em tudo ao meu redor.. Eu estava no céu? Além de “louca” havia me tornado desprovida de inteligência. Não, eu não havia morrido. Era incapaz disso! Atitude perfeita, não era para eu continuar ali.
Naquele momento, o respirar doía por dois motivos: Machucada emocionalmente e fisicamente também. Me mover doía muito. Consegui apenar observar os arranhões em meus braços. Agulhas em minha veia.
Eu era a mais nova colecionadora de dores.
Tentei me lembrar o que havia acontecido, mas havia uma limitação que me permitia ter a memória somente até os meus quatro passos.
Ouvi um barulho na porta, era minha mãe com os olhos inchados de tanto chorar. Perguntou-me desesperadamente:
- Porque você faz isso com a sua mãe?
Eu pensei: Não é com você, mãe. É comigo! Porém permaneci em silêncio, minha boca trazia um desconforto agudo quando tentava pronunciar palavras.
Me senti a pior das vilãs em vê-la naquele estado, a única coisa que doía mais do que minhas angústias, era ver a minha mãe sofrer por mim.
De pouco a pouco recebi visitas, todas indignadas e preocupadas. Algumas orações e meu pai decidiu que eu precisava de um psicólogo. Minha única opção foi aceitar. Mas eu não estava louca! Eu estava apenas farta daquela situação e eu não sabia sair dela, porque era o sentimento que me dominava. Eu não conhecia ao certo o motivo, só entendia que faria qualquer coisa para todo aquele abismo acabar.
Havia duas possibilidades de soluções em minha mente: A mais provável era me sentir amada por ele outra vez: missão impossível. Acabar comigo e com o doer: estava parecendo igualmente impossível.
Fiquei com certo trauma daquele lugar. Os minutos lá pareciam anos!
Depois de pessoas diferentes á cada dia, percebi que faltava alguém. Ele não havia ido me visitar, nem me ligado. Será que alguém tinha avisado? Ele não se preocupou? Ele estava ocupado demais com seu novo “lance”? Que tormenta de mistério! Necessitava de informações.
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