A casa dos fundos.

Página 108.

Um arrependimento bateu na porta da alma de alguém, e era da dele. Ao ver minha perna começar a criar um tom nítido de roxo, ele olhou com tanto espanto quanto eu, e de joelhos implorou por desculpas.. Me abraçou, me deu carinho, selinhos.. Desculpas! Desculpas!

Lapso de ódio, súbito de sumiço. Era impossível mesmo, ter tanto rancor.. Foi apenas um soco, ele estava nervoso. 
Que tipo de emoção é essa que me fez ficar tão cega e desprevenida? O que estava por vir era tão pior, mas poderia ter sido cortado pela raiz. Porém.. Típico de garota i-lúcida por amores, acreditar sempre que o melhor está por aí. Próximo!
Eu o perdoei, não de palavras, mas de coração. E ainda me culpei e me fiz uma “mentalização” de que jamais iria irritá-lo tanto a ponto.

Sabe aquele anormal? É, voltamos á ele. Outra vez, por isso lhes poupo da repetividade de nossa rotina.
Quero chegar logo, á outro ponto crucial, ao início de uma nova sina.. Que apagou todo o significado da palavra respeito em mim.

Finalmente Richard já havia terminado com Carlota, dessa vez – e pela primeira vez – sem nenhuma de minhas "tramoias" no meio. Não me senti aliviada, por que isso não modificou muito nosso relacionamento. Brigávamos direto e ele ainda tinha a razão de sempre me humilhar.. Que cafeína mortal ele era para mim!
Em uma noite, eu e minha aptidão a psicóloga e minhas teses de resolver tudo na base do diálogo fui a sua casa para conversarmos e apenas para isso.. Ok, confesso, para algo mais. Mas não para O “algo mais”, era apenas.. “alguinho”.
A internet me deu a informação de que Salete estaria na casa de Rebeca, que seria aonde Richard estava indo. Portanto, cheguei lá antes de qualquer possibilidade de saída.
Conversamos e eu tentei prolongar o assunto o mais distante, só para ele desistir de sair! Ele estava rude, e seco e deixou bem claro que não queria mais nem ser meu amigo.
Vamos dar um apelido para Richard, vamos chamá-lo de “Bip”.. porque sua bipolaridade era obvia, parecia até uma doença de tão freqüente, 'Puff' a única doente na história era eu e meu coração mimado – literalmente, seria o que eu iria descobrir depois! – Vou parar com as tentativas cômicas porque o que eu tenho a contar é realmente trágico..
No meio de nossa conversa, ele gritou para eu ir embora e eu me recusei, vocês sabem os meus motivos de sempre, eram os mesmos. Eu não era tão difícil de se lidar, se houvesse educação, carinho, tranqüilidade, talvez eu tivesse ido, mas parecia que toda vez que o desafio de sua raiva me enfrentava, aquilo despertava em mim um senso de pirraça e coragem para mantê-lo junto a mim. Mas nada dessas explicações importavam para ele.. Por isso ele ameaçou de ligar para minha mãe! Minha mãe que nem sabia que eu havia saído de casa! – Sim, ele já havia voltado de viajem – No auge do medo instintivamente puxei o celular de sua mão, ele berrou no meu ouvido!

- ME DEVOLVE!
- Não, se não você vai ligar.. Espera, deixa-me falar!
- CALA BOCA, NÃO FALA NADA SUA RÍDICULA..
- Richard, estávamos conversando apenas, porque esse surto?
- PORQUE EU JÁ ESTOU CHEIO DE VOCÊ! ME DA Á P$#%#$ DESSE CELULAR!
- Não, quer dizer.. Sim, quer dizer.. Espera, me escuta, apenas um minuto, por favor!
- EU NÃO VOU ESCUTAR MAIS NADA!

E foi em direção ao seu telefone residencial, mas eu puxei a base do aparelho para mim, e com seu instinto animal – isso mesmo, animal – senti sua pele de maneira violenta contra a minha, com força e intensidade, doía por fora e por dentro, esbofeteava meu emocional, ele estava definitivamente acabando comigo. Já na primeira sensação, lágrimas de sangue escorreram, digo de sangue, porque não me refiro as águas dos olhos. Deixe-me ser direta, já que é impossível descrever a sensação de apanhar de um ex-namorado, atual amor e razão de viver, aos 16 anos de idade.. Ele esmurrou minha mão, contínuas vezes. E depois me empurrou e me jogou no chão, e quando eu tentei levantar, ele esmurrou meu braço repetidamente, e chutou minha perna intensificando sua força [..]

Comentários

  1. Dizem que feliz é o cara que se contenta com o que tem e vive sonhando!Acho que sou feliz, meu melhor passatempo é ler esse livro escultando Legião Urbana sera que tem coisa melhor?Ou é só imaginação? ou Sera que tudo é em vão?

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  2. Ah! Ricardo.. Leitor árduo e perfeito crítico de minhas escritas. Obrigado! Tudo com música se torna único não é mesmo? Causa em mim felicidade que a dedicação de ti, é da mesma maneira que a minha! E como sempre digo, permaneça por favor..

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  3. Sim ele virou um monstro :s Credo !

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  4. ela pedia pra apanhaar, as vezes

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  5. Monstro? Querida (o) leitora (o) Ninguém é vilão ou vítima, mas aprecio sua visão sob a história. Mas é preciso terminar as escritas para compreenderem os atos, mas que seja claro, que a violência nunca se justifica! Agradeço pela ação dos olhos se passarem em minhas palavras.. Por favor, voltem.

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  6. È vamos deixar a hitória rola e ver no que vai dar no final a gente faz esse tipo de balanço!

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