A casa dos fundos.


Página 80.


"DEEIXA EU FALAR COM ESSA MEENINA AGOOORA!"

- Filha, onde você tá? 
- Na casa da Duda!
- Para de mentir! Você quer matar sua mãe?
- Não to mentindo.
- A Valerie acordou 6horas e você já não estava em casa.
- É porque sai cedo.
- E esse barulho de carro?
- É porque já estou indo para a escola.
- Você não vai pra escola, vem pra cá agora!
- Mais Mãe..
- Sem mais! Estou te esperando garota!


Tutututututututututu...


E desligou, desabei a chorar. 
Além de todas as fatalidades que a vida tinha me preparado, eu ainda teria que enfrentar minha mãe.
Imprestável demais até pra morrer, mas persistente quanto a isso.
Fui para a casa com o coração na mão, de maneira figurativa, ênfase no óbvio.
No posto de gasolina que ficava perto, ela já estava lá. Com o ódio transbordando pelo seus olhos.
Me puxou pelo braço sem falar nada.
Ao chegar em casa, tribunal. Interrogatórios, manipulações, apelos! Me fez confessar tudo, e após prantos de transbordagens de sentimentos internos e palavras de verdade, ela chamou um pastor para conversar comigo. Não adiantou, porque no momento eu era "burra" - Que meu eu me perdoe pela maneira chula ofensiva - demais pra perceber o que era melhor pra mim, só me interessavam minhas vontades. 

Tudo que me falaram, era que eu merecia algo melhor, e isso só me "despedaçou" - figurativo, quase real.
É complexo explicar o "preto" de dentro, mas eu não via mais graça em comédia, não gostava mais do calor do sol, inútil comer, pra quê se maquiar? Que inveja do ar. 
Emoção negativa em excesso faz o corpo padecer! Queria padecer! 
Subi ao meu quarto e me tranquei.
Derramei tantas lágrimas que pensei que tinha esvaziado minha "caixa d’água interna", algo dentro de mim gritava o ódio que eu sentia!

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!

Esperniei, mordendo o travesseiro.
Não agüento, eu preciso, não agüento, eu preciso, não agüento, não agüento..
Meu pai trabalhava no ramo medicinal, em seu quarto: diversas caixas de remédios.
Peguei em torno de uns 20 comprimidos, um para cada finalidade que era desconhecida por mim. A água da própria pia do banheiro foi o que fez eu os engolir.
Deitei na minha cama esperando as drogas medicinais fazerem efeito, pois eu sabia que no viver real Richard não iria voltar. A esperança era fruto da ilusão.
A faca enfiada na minha clavícula, me torturava de maneira cruel. Ops! Não tinha faca nenhuma, era desespero emocional, mas era como se tivesse algo drasticamente cruel no físico. Angústia, precisava de ajuda, não queria ajuda, queria amor de namorado, não tinha amor de namorado!

1 min.. 5 min.. 10 min.. 15 min [...]

E..

Comentários

  1. Estarei sempree ao seu ladooo!...

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  2. Nauseas,vômito tontura...Sintomas de uma superdosagem ....(Só consegui prever isso o resto temos que aguardar a proxima página!)

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  3. É, Ricardo! Será? Ás vezes o "não-obvio/sem sentido" surpreende. rs Inacreditável :) E anônimo sempre ao meu lado? É verdade, existe muitos anônimos ao meu lado! No ônibus, na rua, etc e tals. Gostaria de se identificar? :)

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