A casa dos fundos.
Página 61.
- Me leva até o portão.
Era uma vez a esperança.
- Eu estou implorando pra você permanecer comigo, e a única coisa que você me diz é que quer que eu te leve até o portão?
- É! Entendeu, ou está difícil?
- Porque você não vai sozinho?
- Porque não quero ter que responder interrogatórios de seus pais.
- Eu deveria deixar mesmo, mas faço qualquer coisa pra estar ao seu lado.
Revirou os olhos. Qualquer som que saísse de mim, parecia patético para ele, e talvez realmente fosse naquele momento, pessoas tomadas pela dor de um amor, perdem sua lucidez.
Ao descer ás escadas apenas acenou de longe para os meus pais que se encontravam na sala. O levei até o portão. Mas os apelos explodiram, eu tive que insistir. Era necessário.
- Por favor, promete pra mim que vai pensar.. Pensar na possibilidade de voltar pra mim, juro que serei perfeita. Nunca mais farei nada de errado.
- Chega né? Tchau!
Surtei. Gritei.
- RICHARD!
- Que foi meu?! Não sou surdo não..
- Eu te imploro, pensa.. Pensa por nós, por mim..
- Não sei.
Saiu e antes mesmo que eu desse outro chilique de desespero, fechou a porta na minha face.
A partir daquele momento parecia que meu coração tinha sido levado embora. O chão tinha sumido e eu havia caído no pior dos abismos. As lágrimas se congelaram. Meus olhos esqueceram-se de piscar.
Como um robô á passos lentos fui andando de volta ao meu quarto.
Sentei na cama e vi todo o filme de nossa história se passar perante minha visão enquanto meus olhos fixavam-se em um determinado foco.
Minha vez de ficar imóvel. A única coisa que se mexia era minha perna, que tremia de maneira incontrolável.
Pausa da imobilidade, quando minha mãe adentrou em meu quarto. Richard fugiu da cena de tribunal, mas eu não.
- O que foi?
Permaneci em silêncio.
- O que aconteceu? Você estava chorando não é filha?
Apenas balancei a cabeça indicando um sinal positivo.
- Ele terminou com você?
O som de cada letra da palavra “terminou” penetrou em mim a sensação de agulhas enormes perfurando minha pele. Toda a aparência de robô que de repente havia me dominado, quebrou-se. Desabei.
Me joguei no colo de minha mãe e comecei a chorar, de maneira a encharcar a roupa dela. Quando a água de minha alma transbordava uma pitada de alívio era solta de minha prisão interior, mas nunca era suficiente. O alívio nunca se tornou completo. Mesmo após 30min de choro, a cachoeira que caia era infinita pelo menos de prévia aparência.
Minha mãe sem reação, apenas me deu a única coisa de que eu precisava naquele momento: carinho.
Suas mãos alisavam meu cabelo enquanto eu me esvaziava. Suas palavras tentaram me acalmar..
- Não fica assim. Ele não te merece. Deus sabe o que faz, você vai sofrer muito ainda. E não existe só ele de homem no mundo.
Ah! Frases clichês de filmes de comédia romântica, quem disse que era consolo? Porque mesmo que foram inventadas? Só servem para tornar o poço mais fundo!
Depois de várias tentativas de fazer-me rir, ela me deixou sozinha no quarto.
- Me leva até o portão.
Era uma vez a esperança.
- Eu estou implorando pra você permanecer comigo, e a única coisa que você me diz é que quer que eu te leve até o portão?
- É! Entendeu, ou está difícil?
- Porque você não vai sozinho?
- Porque não quero ter que responder interrogatórios de seus pais.
- Eu deveria deixar mesmo, mas faço qualquer coisa pra estar ao seu lado.
Revirou os olhos. Qualquer som que saísse de mim, parecia patético para ele, e talvez realmente fosse naquele momento, pessoas tomadas pela dor de um amor, perdem sua lucidez.
Ao descer ás escadas apenas acenou de longe para os meus pais que se encontravam na sala. O levei até o portão. Mas os apelos explodiram, eu tive que insistir. Era necessário.
- Por favor, promete pra mim que vai pensar.. Pensar na possibilidade de voltar pra mim, juro que serei perfeita. Nunca mais farei nada de errado.
- Chega né? Tchau!
Surtei. Gritei.
- RICHARD!
- Que foi meu?! Não sou surdo não..
- Eu te imploro, pensa.. Pensa por nós, por mim..
- Não sei.
Saiu e antes mesmo que eu desse outro chilique de desespero, fechou a porta na minha face.
A partir daquele momento parecia que meu coração tinha sido levado embora. O chão tinha sumido e eu havia caído no pior dos abismos. As lágrimas se congelaram. Meus olhos esqueceram-se de piscar.
Como um robô á passos lentos fui andando de volta ao meu quarto.
Sentei na cama e vi todo o filme de nossa história se passar perante minha visão enquanto meus olhos fixavam-se em um determinado foco.
Minha vez de ficar imóvel. A única coisa que se mexia era minha perna, que tremia de maneira incontrolável.
Pausa da imobilidade, quando minha mãe adentrou em meu quarto. Richard fugiu da cena de tribunal, mas eu não.
- O que foi?
Permaneci em silêncio.
- O que aconteceu? Você estava chorando não é filha?
Apenas balancei a cabeça indicando um sinal positivo.
- Ele terminou com você?
O som de cada letra da palavra “terminou” penetrou em mim a sensação de agulhas enormes perfurando minha pele. Toda a aparência de robô que de repente havia me dominado, quebrou-se. Desabei.
Me joguei no colo de minha mãe e comecei a chorar, de maneira a encharcar a roupa dela. Quando a água de minha alma transbordava uma pitada de alívio era solta de minha prisão interior, mas nunca era suficiente. O alívio nunca se tornou completo. Mesmo após 30min de choro, a cachoeira que caia era infinita pelo menos de prévia aparência.
Minha mãe sem reação, apenas me deu a única coisa de que eu precisava naquele momento: carinho.
Suas mãos alisavam meu cabelo enquanto eu me esvaziava. Suas palavras tentaram me acalmar..
- Não fica assim. Ele não te merece. Deus sabe o que faz, você vai sofrer muito ainda. E não existe só ele de homem no mundo.
Ah! Frases clichês de filmes de comédia romântica, quem disse que era consolo? Porque mesmo que foram inventadas? Só servem para tornar o poço mais fundo!
Depois de várias tentativas de fazer-me rir, ela me deixou sozinha no quarto.
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