A casa dos fundos.
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- O que? Como assim?
- Não entendeu, ou quer que eu desenhe?
- Richard! Para! Eu não disse nada demais, eu não fiz nada pra você estar assim!
Ele se levantou..
- Quer que eu te acompanhe até a porta?
- Nossa! Estou vendo a saudade que você estava de mim.
Não se deu ao trabalho de me responder, apenas colocou uma camisa e ficou em pé, me olhando fixamente.
Eu levantei, tentando amansá-lo, sem contrariar, mas dar a volta na situação.
- Tá bom, eu vou embora.. Mas, você promete trazer o meu Richard amoroso de volta?
Ele revirou os olhos.
- Hein amorzinho?
Comecei a fazer cosquinhas nele.. Queria fazê-lo rir, descontrair, queria quebrar aquele clima horrível, queria receber carinho. Mas parece que foi a pior idéia que pude ter, assim que encostei meus dedos nele, ele me empurrou de maneira brusca. E em seguida gritou:
- PARA GAROTA!
Sem reação, foi tudo que não senti naquele momento. Meus olhos derramaram lágrimas 'vazias', porque o espanto era tanto que assustou até a dor.
Dei as costas e fui embora. Não tinha mais nada a fazer, aquele não era o meu namorado, definitivamente, não era por aquele ser que me denominava completamente apaixonada.
O episódio aterrorizante permaneceu na minha mente nos dias que se seguiram, porém Richard agiu como se nada tivesse acontecido. Todo o esforço de me tratar bem voltou, pelo menos eu tinha algo dele: O sacrifício.
Finalmente, a temida primeira semana de aula chegou, e na minha mente, o fato de termos voltado a namorar não anulava a possibilidade de término na volta ao colégio.
15 de fevereiro de 2010 - Primeiro dia de aula.
E para aguçar o risco da situação, caímos em períodos diferentes. Pra 'mim' que estava de manhã, não teve aula. Já para ele, foi ao contrário.
Fiquei em frente ao colégio com ele até o sinal anunciar que estava na hora de entrar, e quando em um selinho me despedi meu coração "apertou-se".
Algo muito forte gritava no meu interior avisando que fatos ruins viriam pela frente. Precisava acalmar isso, mas minha intuição era mais clara do que eu podia imaginar. A voz interna foi tão forte e tão nítida, que chegou ao ponto de eu ter certeza de que ela estava me alertando que Richard iria me trair.
Desesperada, veio uma idéia em minha cabeça.
Mandei uma mensagem imediatamente para Letícia, que para minha sorte, - ou não – era do mesmo período que ele (tarde).
Foram as seguintes palavras: “Amiga, vigia o Richard pra mim, por favor? Estou sentindo que algo muito ruim vai acontecer. Vou estar na casa da Anny na hora da saída, quando bater o sinal vou buscá-lo de surpresa, mas por via das dúvidas, fica de olho. Obrigado desde já”.
Eu sabia que ele iria sair ou 17h30 ou 18h20, então quando deu 17h00 fui até a casa de Anny, que morava na rua de trás do colégio.
Chegando lá meu coração disparou uma adrenalina tremenda, sem motivo algum pra isso. Anny tentava me acalmar, e o celular da Letícia só dava fora de área.
Resolvemos então ficar no portão de sua casa, vendo a movimentação da rua para nos distrair, foi quando começamos a ver alunos da escola descendo a rua.
Entramos de volta correndo, Richard ainda não poderia me ver lá, pelo menos não antes de eu vê-lo.
Exatamente um minuto após de eu ter concluído meu pensamento, Letícia aparece correndo, ofegante, desesperada. O que aumentou ainda mais o frio que me corroia por dentro.
Assim que me viu, disse com dificuldade em equilibrar as palavras com o ar..
- Sophie! Sophie!
- Oi? Que foi? Fala! Fala!
- O Richard..
- O que tem ele?!
- Ele e mais um amigo dele foram pra trás da escola com duas garotas. Assim que eu vi vim correndo te contar!
O que o Richard faz com a So não é humano. Quanta frieza e quanta oscilação de humor :/
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