A casa dos fundos.
Página 62.
Tentei dormir, ás oito da noite. Mas, minha mente mirabolante, ficava passeando no mundo das idéias, sedenta por uma solução. Estava tão sobrecarregada, que o tempo passou de maneira tão rápida que não pude perceber.
O relógio apontou 00:00h, e aquelas formas redondas dos números me fizeram lembrar do que as garotas rebeldes dos filmes americanos faziam quando queriam “fugir” temporariamente de casa. Era a única alternativa de tranquilizar meu grito.
Verifiquei se meus pais estavam dormindo, e a resposta foi sim.
Troquei de roupa, mas não me preocupei em passar maquiagem, afinal, as pálpebras enxadas de meus olhos estavam impossíveis de arrumar.
Incorporando a atriz, coloquei o plano em ação. Com o maior cuidado do mundo para reinar o silêncio na casa, peguei dois travesseiros e um edredom e os aconcheguei em minha cama de maneira com que parecessem com meu corpo. E após os cobrir com um cobertor a obra estava feita. Como eu era acostumada a dormir com meu rosto inteiro embaixo dos lençóis pelos medos cicatrizados de criança, aquele monte embaixo de meu cobertor ficou uma réplica perfeita. Era como se eu ainda estivesse lá.
Havia o risco de meus pais acordarem e por algum motivo checarem minha presença e de repente não me encontrarem lá, mas eu nem pensei nisso, minha preocupação era outra.
Logo, peguei a chave de casa e desci ás escadas na ponta dos pés. Suando frio, usei a delicadeza feminina para abrir o cadeado.
O "ar frio" no interior de minha barriga estava quase congelante. Meu coração acelerado.
Minha cachorra estava dormindo ali fora, e pra mim ela não era um problema, já que a minha lógica me fez pensar que.. Por mais que ela acordasse, iria reconhecer meu cheiro e não iria latir.
Não podia ficar "marcando bobeira no quintal", então logo fui em direção ao portão, mas ao esbarrar em uma folha, e uma folha tão pequena a ponto de o barulho ser quase impercebível, minha querida cadela começou a latir.
“TumTumTumTumTumTumTumTumTumTumTumTum”, meu órgão da vida disparou.
Meus pais iriam levantar para ver o que houve, como já era de costume quando a Éss latia. Tive que pensar rápido e agir com mais velocidade ainda. Fui correndo de maneira silenciosa em direção á pequena barulhenta. Entre cochichos disse:
- Sou eu Éss.. É a mamãe moça! Fica quietinha fica.. sou eu!
Como se ela fosse racional o suficiente para entender. Mas parece que meu cheiro era irreconhecível no escuro, como se fizesse sentido.
Ela só fez aumentar seus latidos com um desespero que invade os cães quando encontram desconhecidos.
Minha mãe ligou a luz do corredor. Então sem pensar de maneira eficaz me joguei em baixo do carro de meu pai que estava na garagem.
Fiquei lá, quietinha e escondida, com os dedos entre figas, torcendo para que ela apenas visse que não era nada e voltasse a dormir. Mas parece que o faro de minha mãe era melhor do que os da própria Éss.
Desceu ás escadas, e percebeu que o cadeado estava destrancado. Abriu a porta e saiu.
Minha adrenalina subiu ao pódio. A excitação da situação, - se é que posso chamar assim - era tanta, que eu mal conseguia pensar no que fazer. E o envolvente surrealismo fez com que eu me sentisse em um filme de suspense com as cenas seguintes. Foi semelhante. Déjà vu.
A visão limitada que eu tinha por baixo do carro, avistaram minha mãe se aproximando, cada passo acelerava meus batimentos, e piorou quando eles se voltaram exatamente em direção ao carro.
Finalmente seus pés pararam ao lado do veículo. “TumTumTumTumTumTumTumTumTumTumTumTum”
E no tempo apenas de um piscar de olhos avistei seu rosto olhando em minha direção. Seus olhos de espanto.
- Filha?! O que você está fazendo aí embaixo?
Tentei dormir, ás oito da noite. Mas, minha mente mirabolante, ficava passeando no mundo das idéias, sedenta por uma solução. Estava tão sobrecarregada, que o tempo passou de maneira tão rápida que não pude perceber.
O relógio apontou 00:00h, e aquelas formas redondas dos números me fizeram lembrar do que as garotas rebeldes dos filmes americanos faziam quando queriam “fugir” temporariamente de casa. Era a única alternativa de tranquilizar meu grito.
Verifiquei se meus pais estavam dormindo, e a resposta foi sim.
Troquei de roupa, mas não me preocupei em passar maquiagem, afinal, as pálpebras enxadas de meus olhos estavam impossíveis de arrumar.
Incorporando a atriz, coloquei o plano em ação. Com o maior cuidado do mundo para reinar o silêncio na casa, peguei dois travesseiros e um edredom e os aconcheguei em minha cama de maneira com que parecessem com meu corpo. E após os cobrir com um cobertor a obra estava feita. Como eu era acostumada a dormir com meu rosto inteiro embaixo dos lençóis pelos medos cicatrizados de criança, aquele monte embaixo de meu cobertor ficou uma réplica perfeita. Era como se eu ainda estivesse lá.
Havia o risco de meus pais acordarem e por algum motivo checarem minha presença e de repente não me encontrarem lá, mas eu nem pensei nisso, minha preocupação era outra.
Logo, peguei a chave de casa e desci ás escadas na ponta dos pés. Suando frio, usei a delicadeza feminina para abrir o cadeado.
O "ar frio" no interior de minha barriga estava quase congelante. Meu coração acelerado.
Minha cachorra estava dormindo ali fora, e pra mim ela não era um problema, já que a minha lógica me fez pensar que.. Por mais que ela acordasse, iria reconhecer meu cheiro e não iria latir.
Não podia ficar "marcando bobeira no quintal", então logo fui em direção ao portão, mas ao esbarrar em uma folha, e uma folha tão pequena a ponto de o barulho ser quase impercebível, minha querida cadela começou a latir.
“TumTumTumTumTumTumTumTumTumTumTumTum”, meu órgão da vida disparou.
Meus pais iriam levantar para ver o que houve, como já era de costume quando a Éss latia. Tive que pensar rápido e agir com mais velocidade ainda. Fui correndo de maneira silenciosa em direção á pequena barulhenta. Entre cochichos disse:
- Sou eu Éss.. É a mamãe moça! Fica quietinha fica.. sou eu!
Como se ela fosse racional o suficiente para entender. Mas parece que meu cheiro era irreconhecível no escuro, como se fizesse sentido.
Ela só fez aumentar seus latidos com um desespero que invade os cães quando encontram desconhecidos.
Minha mãe ligou a luz do corredor. Então sem pensar de maneira eficaz me joguei em baixo do carro de meu pai que estava na garagem.
Fiquei lá, quietinha e escondida, com os dedos entre figas, torcendo para que ela apenas visse que não era nada e voltasse a dormir. Mas parece que o faro de minha mãe era melhor do que os da própria Éss.
Desceu ás escadas, e percebeu que o cadeado estava destrancado. Abriu a porta e saiu.
Minha adrenalina subiu ao pódio. A excitação da situação, - se é que posso chamar assim - era tanta, que eu mal conseguia pensar no que fazer. E o envolvente surrealismo fez com que eu me sentisse em um filme de suspense com as cenas seguintes. Foi semelhante. Déjà vu.
A visão limitada que eu tinha por baixo do carro, avistaram minha mãe se aproximando, cada passo acelerava meus batimentos, e piorou quando eles se voltaram exatamente em direção ao carro.
Finalmente seus pés pararam ao lado do veículo. “TumTumTumTumTumTumTumTumTumTumTumTum”
E no tempo apenas de um piscar de olhos avistei seu rosto olhando em minha direção. Seus olhos de espanto.
- Filha?! O que você está fazendo aí embaixo?
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