A casa dos fundos.


Página 73.


- Tá bom, eu volto com você.

Pense no sol mais radiante de toda primavera. Em uma competição com o brilho dos meus olhos naquele momento, o sol perderia.

- Sério? Richard.. Nossa! Rich.. Meu Rich outra vez! Você me deixa sem palavras!

Senti a liberdade explodindo e a mão dele me resgatando de todo o abismo em que eu me encontrava. Vários selinhos foram trocados e beijos estridentes também.
O resto daquela noite não poderia ter sido mais perfeita. – pelo menos era o que eu achava - Entreguei-me a ele de corpo e alma sem medo do amanhã.
Quando o relógio marcou 6h00 liguei pra Anny e ela me acolheu em sua casa.
Contei todos os detalhes da noite que se passará e finalmente fomos dormir.
Dali pra frente meu relacionamento com Richard se tornou complexo.
Eu percebia que ele estava se esforçando para me dar carinho, mas não via sentimento. É como se ele fizesse apenas por mim, e não por ele.

1O de fevereiro de 2O1O – Eu ia viajar. Época de carnaval e eu e meus pais íamos para um acampamento. Encontrar a paz interior.. A parte ruim? Richard não iria comigo. 
Foi difícil pra eu aceitar que iria ficar 4 dias longe dele, sem contato por internet, celular ou telefone. Meu medo mais do que a saudade "duída", era do que poderia acontecer enquanto eu estivesse fora. Mas lá fui eu. 
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11, 12, 13, 14, 15..
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Finalmente, voltei para casa. Não teve um dia que o tal do "pressentimento ruim" não me acompanhou.
Durante a viagem, conversei com Richard por telefone apenas duas vezes, uma delas ele foi super frio e grosso. Indiferente. Na outra, um namorado carinhoso que confessou até que estava com saudades. Opostos, típico dele.

Cheguei em casa as 01h00 da madrugada. E foi só esperar todos dormirem para ir á residência de meu namorado.
Ele já estava me esperando, e me deu um abraço tão aconchegante quando eu cheguei. Alívio e tranquilidade. Sensações.

Colocamos toda a conversa em dia, assuntos comuns do cotidiano. Até que ele veio com certas histórias que me deixaram um tanto aflita..

- Sophie, esse tempo que você estava viajando, eu fiquei conversando tanto com a Letícia, ela é tão legal!

Ciúmes a flor da pele.

- Mesmo?
- Sim! Só ela pra ficar falando comigo até de madrugada no computador.
- Ah, que bom!
- Ah, graças á ela, vou poder arranjar um emprego.
- Emprego, qual?
- Promoter de balada.

Soltei uma risada sarcástica.

- Piada! Adorei a idéia!

Ironia transbordando.

- Estou falando sério, você ganha dinheiro praticamente de graça, só pra divulgar e ficar lá curtindo a festa.
- Cheio de garotas ao redor!
- Claro que não! Nem é por isso!
- Não quero que você vá!
- Mas eu preciso de dinheiro.
- Então trabalha de verdade!
- A Letícia quando namorava com o Derick já era promoter e ele deixava.
- Pois é, mas você se chama Richard e eu Sophie, entendeu a diferença?

Ele se calou. Não por respeito, e nem por perceber que eu estava certa. E sim por raiva. Tentou achar uma solução!

- Então vamos comigo!
- Richard, tenta me entender.. Eu não vou em balada e nem gosto, e você sabe disso. Poxa, vou ficar muito aflita sabendo que você está no meio de um turbilhão de oportunidades de me trair.
- Tá, não quero mais falar nisso!

Porém, eu sabia que o assunto não tinha encerrado ali. Trocamos conexões, beijos e carinhos. Mas parece que nossa simples conversa irritou sua forma interior. Porque cada toque e cada gesto pareciam intensamente artificiais. Algo estava incomodando profundamente á ele, era enigmático saber o que era. Lá no fundo, a intuição me dizia que era porque eu me recusei a deixá-lo ir. Mas será que era o dinheiro, ou a Letícia que era tão importante? Ou tudo isso era apenas coisa da mente de uma namorada ciumenta?
Interrompendo hipóteses de minha mente, ele se transformou de um minuto ao outro, e exclamou:

- Vai embora!

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