A casa dos fundos.
Página 79.
Fui acordada por um cobrador, de cabelos brancos..
- O ônibus já está saindo.
- Não tenho dinheiro da passagem.
- Onde você desce?
- No terminal capelinha.
Ele ficou pensativo, queria ajudar, mesmo sem eu pedir ajuda.
- Não tem problema, pode entrar.
Era em torno de umas 5h40 da manhã, anestesiada pela dor, aceitei a carona, pra talvez ficar por perto caso Richard quisesse salvar minha vida.
Ao entrar no ônibus, o cobrador perguntou..
- O que você esta fazendo por aqui essas horas?
- Eu não sei.
- Cadê seus pais?
- Estão dormindo.
Seu olhar demonstrou ternura e carinho..
- Vai, senta aí e dorme, no ponto final eu aviso.
ZzzzZZZzzzZZzZZzZZ [...]
- Moça, já chegou!
Tentei sorrir..
- Obrigado.
Saindo do terminal, meu rumo não era a casa.
Focalizei meu pensamento em locais perigosos. Eu precisava sentir algo mais forte que a dor: Adrenalina.
Fui pra uma das ruas mais perigosos do bairro. Sentei no chão e ali fiquei. Todos me olhavam, alguns carros quase paravam, mas nada, ainda.
Mendigos ao lado. O cheiro estava forte, mas não me encomodava como antes, nada me encomodava mais do que o que eu estava sentindo.
SURTO! Soquei a parede, meu punho enchou.
Mais uma pra coleção da dor, mas o que é uma gota d'água para quem já esta molhado? Frase conhecida, realidade vivida.
Quando estava quase pegando no sono, meu celular começa a tocar incansavelmente.. No visor: “Valerie Calling.”
Minha irmã me ligando.. Minha família. Já havia me esquecido, fiquei tão preocupada com planos para Richard, esqueci de soluções para meu outro bem maior. Atendo, ou não? Atendi.
- Alô?
- Sophie, aonde você está?!
- Na casa da Duda!
- Para de mentir! Vem pra casa agora!
- Eu to na casa da Duda!
Ouvi berros:
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