A casa dos fundos.
Página 75.
Meu coração disparou de uma maneira tão intensa que eu pensei que iria ter um infarto. Eu não sabia na verdade o que faria se encontra-se ele beijando alguma garota, e nem consegui pensar em algo.
A estratégia da impulsividade foi tão forte que assim que as palavras de Letícia terminaram de ser pronunciadas eu, abri a porta e fui andando o mais de pressa possível, e ao virar a esquina, avistei a seguinte cena: O amigo de Richard beijando uma garota, e ele com a outra: conversando, um bem perto do outro apenas, - apenas tudo isso – continuei indo em sua direção, e quando Richard me avistou seus olhos se arregalaram de maneira que foi impossível disfarçar, ele se afastou da menina e olhou para o lado, nervoso.
Tentei controlar a situação, mas nunca fui boa em fazer isso..
- O que você está fazendo aqui?
- É que o Iguinho ia ficar com a menina e ele me chamou pra esperar ele.
Esperar? Não fazia sentido! Richard morava em frente à escola pra que iria esperar alguém? Ah! Outra questão.. Bem lembrada consciência..
- E você precisa de uma garota pra esperar junto?
- É que ela, é amiga da menina.
Ele era esperto, mas tudo estava obvio demais, eu tinha certeza que se tivesse chegado uns 10 min. depois teria visto uma cena que despedaçaria meu coração.
Continuei a interrogar, mas a única coisa que ele me respondeu foi..
- Já te falei, você acredita se você quiser!
Porque ele estava irritado? Quem deveria estar era eu! E agora, ele conseguiu se fazer de vítima? Mas não foi a única vez que eu tinha sido imbecil, - com toda permissão que tenho pra me ofender. (Preciso confessar, que algum tempo antes desse ocorrido, desconfiada das mudanças de humor de Richard, eu fiz um pseudônimo, uma conta no Messenger com foto de uma garota qualquer que achei no Orkut de Richard. Na conversa, ele deixou bem claro que iria encontrar a garota pessoalmente para eles trocarem "contato lábial", mesmo tendo namorada, a sua justificativa á suposta menina foi “Porque eu não sirvo pra namorar, já já fico solteiro.” O que eu fiz? Imprimi a conversa como se ela tivesse me mandado e fui pra casa dele, joguei indiretas, demonstrando a decepção por ele ter me traído, mas sua reação foi apenas a seguinte “Termina comigo então.” Mas eu gelei, não queria terminar, queria resolver, queria fidelidade, amor, companheirismo. Esperava outra reação, tentar se justificar, ou ao menos não admitir, inventar uma mentira, eu esperava uma mentira, mas ele admitiu e só estava esperando eu dar o primeiro passo pra acabar com tudo. E após todo meu sacrifício pra deixar essa história pra lá e não perdê-lo, ele levou três dias pra voltar ao normal comigo, como se eu tivesse errada. Logo após disso, confessou-me que no dia 27 de Janeiro, um dia antes de completarmos 3 meses, no dia em que ele tomou a suposta vacina de 15 anos, ele ficou com a Salete! Símbolos para substituir palavras chulas que descrevem meus sentimentos no momento da notícia: #@$#@$$%(`+**%¨&%¨. É, eu era ridiculamente apaixonada, e cega por meus sentimentos. Estava disposta a tudo, menos perdê-lo.)
E logo após eu quase pegar Richard me traindo atrás da escola, nosso relacionamento permaneceu na rotina dele estar comigo sem a mínima chama de sentimento.
O horário das 12h45 ás 18h20 era uma tortura para mim, a cada segundo uma "agulha" de insegurança de uma possível nova traição incendiava pensamentos aterrorizantes em minha mente. (Entendam, não é que eu não me importava em ser traída, a dor era insuportável, só que iria doer muito mais, aprender a viver sem ele, era como escolher entre morrer afogado e morrer queimada)
Mas apesar de todos os pesares, a única coisa que eu fazia era me desdobrar para agradá-lo.
Eu ainda tinha beijos, ainda tinha abraços, ainda tinha.. só, era só isso que tinha. E a incerteza, o medo, e o ciúmes quebravam a paz que possíveis atos poderiam me trazer.
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