A casa dos fundos.
Página 71.
No momento em que li sua pergunta, torci para ele não responder. Dizem que verdade dói, e naquele momento iria doer mais do que nunca.
Ele pediu educadamente..
- Sophie, vira o rosto pra lá e fecha o olho?
- Por quê?
- Não quero que você veja a resposta.
A única coisa que consegui pensar foi que suas palavras seriam ruim demais, e talvez no fundo ele sentisse pena do sofrimento que causava em mim. Eu estava tentando evitar tudo que me fazia mal, então nem precisei de explicações. Apenas virei meu rosto e permaneci com os olhos fechados.
Depois do sinal indicando que já podia me virar, Letícia enviou o seguinte recado:
Letícia: Sério? *-* Então porque você não volta com ela?
Eu confesso que reprimi meus pensamentos para não criar esperanças demais. Mas já era tarde, a curiosidade esperneava dentro de mim. Perguntei..
- O que você respondeu?
- Nada demais.
Eu sabia que ele não iria falar, então, pra ser mais prática peguei o mouse da mão dele e fui direto aos “Scraaps” dela. Mas assim que cliquei, ela tinha acabado de apagar o recado. Por sorte consegui ver, as seguintes palavras: “Eu amo ela”.
Tentei fingir que não vi, permaneci monótona por dentro e apenas comentei..
- Droga! Ela apagou, não consegui ler!
O porquê da minha atitude? Se fosse realmente verdade, eu queria que ele falasse pra mim, e não para os outros.
Eu necessitava ouvir aquelas palavras, porém da boca dele.
Sai de perto, ficar vendo aquela troca de informações só iria me afastar demais do penhasco, ou iria fazer com que eu me jogasse dele.
Sai, bebi água, voltei.
- Sophie, fala aí com a Letícia.
Eu sentei na cadeira em frente do computador, pensando que Letícia queria falar algo comigo. Mas nada, nenhum recado. Logo indaguei..
- Oxe. Falar com a Letícia? Mas ela não me mandou recado nenhum.
- Fala pra ela, que você vai ficar aqui.. Mas só até minha mãe chegar.
Eu sorri. Ele também.
Parecia que tudo iria dar certo, agora era torcer para as aparências não enganarem desta vez.
Ele trocou de roupa e ficou sem camisa e de bermuda.
Deitou em sua cama que era a de baixo do beliche e ficou assistindo TV enquanto eu mexia no computador. Trocamos diversas palavras, dentre elas..
- Você viu o vídeo que fiz?
- Sim.. É lindo.
- Gostou mesmo?
- Muito, confesso que meus olhos encheram d’água.
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