A casa dos fundos.


Página 78.


[...]

Após o ato de conexão errônea, eu esperava carícias, e tudo que recebi foi um sorriso. Levantou imediatamente e se trocou, foi direto pro computador e a partir daquele momento fingiu que estava sozinho.
Toda essa complexa situação durou até as 4h00, quando sono envolveu-se nele, e este foi dormir.
Na beliche de cima, sem espaços para companhia. E as suas ultimas palavras antes de descansar foi..

- Boa noite. Fecha a porta quando sair.

Foi o ponto crucial, quando percebi que foi uma ida sem volta.
Abismo de sentimentos ruins. Descontrolo. Surto!
Com a aguda pontada que deu-se em meu peito, deixei apenas uma carta antes de partir..

Querido Richard, quero que saiba que você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Tudo que aconteceu entre nós, para mim será eterno. Você me ensinou a ser eu mesma, sem medo de conseqüências, me ensinou a ser amada, e a não ter medo de amar. Carinho e felicidade eu só encontrei em você. Eu sonhava com uma vida ao teu lado, o casamento e seus objetivos eram metas para mim. Tudo que você me faz.. é bem. E é por isso que sem tua presença me sinto tão mal. Gostaria de ser feliz, mas é impossível sem você. Por isso estou partindo, porque você levou meu oxigênio embora. Estarei por aí a fora, até as 11h00 da manhã, se quiser falar comigo, ou recuperar o que nunca deveríamos perdido, ligue no meu celular até esse horário. Caso contrário, use seu telefone para avisar minha mãe, diga a meus pais, que eu os amo muito, mas que a dor que sinto agora torna-se impossível viver. Não quero que pense que é drama, quero apenas que entenda, que quando disse que você me completava, era verdade, e não tem como viver incompletamente. Não quero ser um fardo na sua vida, mas a minha sem você é um fardo, por isso estou de partida.Por favor, guarde na sua memória todos os momentos bons. A nossa história se eternizará. Obrigado por tudo. E assim como o prometido, eu te amei até o meu último suspiro. De sua eterna Japinha.. Sophie Bianch, 22/O2/1O ás 04h30.

O papel em que escrevi, estava encharcado de lágrimas salgadas. Tentei acordá-lo para avisar que já estava de saída, mas minhas tentativas foram em vão, então deixei a carta do lado de seu travesseiro e saí.
Cada passo que eu dava, o desgosto de permanecer caminhando tornava-se mais intenso. De repente, parece que eu havia sido tomada por um grande desprazer de viver. O que eu sentia era realmente insuportável, e tudo que eu mais desejava era um ponto final. A escuridão tomou conta de minha mente e as lágrimas não pararam de descer, caminhei por estrada a fora. Lembrei que tinha 2,30 no bolso. A idéia? Era ficar vagando por qualquer ônibus que passasse por ali aquele horário, e se não houvesse ligação, daria um jeito de parar de respirar. Radical? Não! D-E-S-E-S-P-E-R-A-D-A!
Caminhei pela estrada, sem pressa nos passos, até que um carro preto começou a andar em minha direção, três homens dentro que me olhavam com curiosidade. De inicio fiquei com medo, mas logo me lembrei que a vida havia perdido o sentido, foi quando parei de andar e procurei avistá-los para ser a presa fácil. Mas, tarde demais, eles já haviam ido embora.
Continuei em meus passos, até que o ônibus intitulado “Largo São Francisco” apareceu. Paguei a passagem e sentei no banco atrás das cadeiras altas, com a intuição do motorista não perceber minha presença.
De tanto chorar, meus olhos já ardiam, então encostei minha cabeça na janela e tentei dormir. No meio de meu cochilo, me acordando, um passageiro avisou..

- Moça, já está no ponto final.

Não tinha sido esse meu plano. Precisava vagar primeiro, esperar a ultima esperança. Mas foi indiferente, não estava crente de que o amor de minha vida iria mudar de ideia.
Após 40 segundos que meus olhos estavam abertos, desabei-me a chorar novamente, era um incômodo infinito e vazio doído que me dominava.
Ao descer do transporte público fui em direção á um ponto de ônibus que tinha cadeiras 'largas' uma ao lado da outra, e foi ali mesmo que eu me aconcheguei.
Deitei no ponto, como se fosse moradora de rua, sem passagem pra voltar pra casa, exausta demais pra viver, exausta demais pra deixar de viver! Decidi dormir primeiro, pra depois morrer.

Comentários

  1. Nãaaaaaaao , a Sophie não poode se matar Buáaaaaaa D:

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  2. ah não posto ontem linda "(
    To na curiosidade aqui rsrs

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  3. estou torcendo para que hoje tenha 2 páginas né . . .

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  4. Já está tudo postado! Espero que gostem *-*

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