A casa dos fundos.

Página 59.


Não agüentei mais ler. Fechei a janela em um surto de desespero interno. Senti meu coração em uma explosão de intensidade e dor.
Meus pensamentos tornaram-se "incolor", eu não soube o que fazer. Senti "minha alma" quase transbordar pelos olhos, mas isto foi interrompido  pelo barulho de seus passos voltando para o quarto.
Ele percebeu minha face de espanto e olhou direto para o computador, mas de sorte já havia fechado as provas.
Entre uma peça e outra que se vestia ele me enchia de selinhos. Voltou do banho carinhoso demais, talvez porque tivesse lembrado dos registros que deixará no computador.
Cada ato dele provocava em mim uma dorzinha que saia do meu coração e terminava na palma de minha mão, é paradoxal, mas verdadeiro este sentir. Mas, tentei ignorar como sempre, incorporar à cega, só porque não tinha idéia do que fazer.
Finalmente pronto, viemos para minha casa.
Ao chegar, subimos para o meu quarto, assistimos filme abraçados e demos risadas juntos, mas o incomodo daquelas palavras atormentavam minha mente de maneira tão surreal que era possível ouvir vozes as repetindo.
Entre uma cena e outra, nossos lábios se encontraram e como das últimas vezes, seu objetivo não era apreciar o sabor do meu beijo.
O calor entre nós foi ficando quente, mas toda vez que chama tornava-se intensa a conversa vinha em meu subconsciente. Ficou impossível até de beijá-lo e definitivamente nunca pensei que esse dia iria chegar. - Quero deixar claro que eu ainda o amava, e tudo que eu queria era passar uma borracha na memória e permanecer com ele. Só que no momento eu estava muito atordoada, mas era só no momento. - Minha vontade era continuar a lhe beijar e ir com ele até onde ele quiser, mas pela primeira vez a razão me interrompeu e tomou conta de mim, e entre escapadas que conseguia dar de seus lábios eu disse:

- Não..
Ele foi com sua boca até minha orelha, sussurrou..

- Vai amor, sou eu.
- Não!

Tentou me beijar, mas eu virei o rosto. Mordeu meu lábio e puxou.. Era mortífera a tentação.

- Para!
- Por quê?
- Porque é errado.
- Aquele dia no sítio também era?
- Não, aquele dia é diferente de hoje!

Beijou meu pescoço de maneira envolvente com o ar quente de sua respiração ouriçando minha pele..

- Qual a diferença em amor? Me fala..

Cheguei ao limite, quando meu corpo estava gritando pra ser dele, eu tomei as rédeas de mim mesma e quebrei todo aquele êxtase. Mas logo desejei nunca ter o feito, porque eu nunca esperaria que aquela fosse à reação de Richard. Eu esperava explicações, vontades de soluções e não renuncia.

- No sítio eu ainda não sabia que você pretendia terminar comigo quando voltassem as aulas.

Instantaneamente ele se levantou e ficou sentado em minha cama. Olhou fixamente pro chão, permaneceu em silêncio.
Foi minha vez de tentar abraçá-lo e pedir colo.. Mas ele permanecia "petrificado".
 

- Tá bom amor, esquece o que eu disse.. Eu te perdôo, só quero que possamos ficar bem.
- Não.
- Não o quê? Por quê?!
-  Agora que você já sabe, eu não preciso esperar até as aulas voltarem.

Comentários

  1. Porquê gosto tanto dessa história ? hehe
    Parabens continuuue postando que to seempre acompanhando :D

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  2. OMGOMGOMG vou morrer 1beijo :*



    -nathy

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  3. Obrigado *-* Essenciais a presença, indispensável a leitura, inacreditável o carinho *-* Meu coração é eternamente grato.

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