A casa dos fundos.

Página 43.


Ouvir sua voz me deixou tão feliz que eu não ousei ter medo de saber o que ele teria vindo fazer ali. A única coisa que me incomodou foi ele ter me pego de surpresa. Sempre quis estar deslumbrante pra ele, portanto, pijama não era a roupa mais adequada.

- Amor entra mas fica aí em baixo me esperando. Você me pegou de surpresa, vou tomar banho tá?

Ouvi apenas suas risadas pelo interfone. Cliquei no botão para que o portão abrisse e fui direto para o chuveiro.
Tomei uma ducha, e sai do banheiro sentindo-me cheirosa. A ansiedade em ficar pronta logo fez com que a dúvida de que roupa vestir me invadisse. Foram trocas e trocas até a decisão. Finalmente, coloquei uma roupa leve, pois o clima estava agradável. E mesmo sendo um sol de fim de tarde irradiava com esplendor. Não sei se era pelo meu estado de humor, mas pra mim, tudo naquele dia estava belo.
Eu desci, ele estava de mochila nas costas, bermudão e chuteira. Com um sorriso encantador no rosto. Me deu um abraço daqueles bem apertados.

- Estava morrendo de saudades de você.

Meus olhos estavam tão reluzente quanto a luz das estrelas.

- Eu também meu amor.

Trocamos diversos selinhos. Dei-lhe água para beber.

- Eu vim direto do jogo pra cá. Como eu sai mais cedo, juntei o útil ao agradável e vim ver minha namorada!
- Ah! Que prestativo você amor!

Como não tínhamos nada pra fazer, abri a porta traseira do carro do meu pai que estava na garagem. Liguei o rádio, discutimos de maneira saudável até decidimos em que estação deixar, nossos gostos musicais nunca se bateram, ele sempre optou por Black e minha paixão era Sertanejo ou qualquer coisa romântica.
Sentei no banco de trás e ele deitou com sua cabeça em meu peitoral e eu o abracei. Era como se ele fosse um bebê e eu estivesse o segurando no colo.
Contamos um ao outro como foi nossos dias. E depois de só dois minutos de silêncio, Richard adormeceu em meus braços. Pra mim, era o garoto mais lindo do mundo daquela forma. Vê-lo dormindo era tão apreciável, poderia ficar daquele jeito o dia inteiro.
Após, - acredito eu - de uns 20 min. o admirando, Richard aprofundou-se realmente em seu sono, e começou a soltar leves roncos. E o que não agüentou ficar presa também foi minha risada, foi ela que acordou Richard.


- Que foi? Que foi?


Ainda rindo, o respondi.


- Nada amor. Desculpe, não me agüentei.. Você começou a roncar!

- Sério?
- Sim!

Ele se envergonhou a ponto de suas bochechas ficarem coradas. Ao perceber sua reação trocamos olhares e caímos na risada juntos. Interrompendo nosso momento de descontração ele disse:


- Você é linda!


E me beijou. E finalmente senti dele o beijo em que ele se entregava. Enquanto nossas línguas se entrelaçavam podia sentir que ele saboreava aquele momento tanto quanto eu. A sensação de retribuição me fez ter a certeza do "pra sempre" de volta. Outra vez, lá estava meus pensamentos de atual namorado e futuro marido, sem obstáculos para impedirem isso.
E parece que Richard era tão bom em "ler mentes", quanto em beijar, porque parecia que tinha entendido tudo que meus pensamentos diziam e aprofundou a direção que nosso beijo seguia.
Nossos corpos grudaram um no outro. As reações de seu corpo ficaram claras e as intenções também. Mais uma vez sentir a mão dele descer pela minha barriga, e o delírio de seu toque voltou. Mordidas em seus lábios tentavam retribuir o que me fazia sentir.
Cortando nosso turbilhão de sensações, os passos das pessoas que estavam na casa nos relembrou de que não estávamos sozinhos. Então ao pararmos de nos beijar, Richard levou sua boca até meu ouvido e sussurrou:

- Tem alguém lá em cima, no seu quarto?

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