A casa dos fundos.

Página 44.

A malícia em seu sussurro era evidente. Não tinha ninguém, mas hesitei em responder.. Meus pensamentos fizeram com que eu me lembrasse de todas as coisas ruins que acontecera desde a ultima vez que me entreguei a ele.

- Não sei.
- Vamos lá ver?

Ele não era do tipo que desistia fácil.. E bastou alguns beijos no meu pescoço para que eu concordasse. Eu não era fácil, só não conseguia resistir a ele. A minha certeza estava de volta, mesmo tendo medo, lá ela permanecia.
Meus nervos ficaram a flor da pele.. Cada movimento, cada pisar de escada ao subir pareciam gigantescos pra mim.
Entramos em meu quarto e ele fechou a porta. Tentei bancar a "ocupada" me olhando no espelho, arrumando o cabelo, mas me puxando pelo braço fez com que fossemos de encontro um ao outro. Ele foi com "sede ao pote". Naquele dia, sua maneira de me tratar foi tão intensa quanto seu olhar. Ele estava único e perfeito. Sua voz roca e grossa que escapava em alguns momentos, dizia que me amava e de seus lábios saiam sentimento.
Depois de todo êxtase do momento, ficamos deitados um ao lado do outro.
Ele ficou fazendo carinho em meu rosto e seu toque era tão delicado que eu me senti "nas nuvens", foi assim que adormeci. Foi mágico pra mim, dormir sentindo seu cheiro, com suas mãos me acariciando, dormir o apreciando.
Não sei exatamente quanto tempo depois que abri os olhos, só lembro o quanto foi frustrante ver o que eu vi: Nada. Nada vi. Não o vi, ele não estava ali. Mas antes mesmo que viesse os maus pensamentos, percebi que tinha uma mensagem não lida de Richard no meu celular e dizia bem assim:

"Minha Japinha.. admirá-la dormindo é uma coisa tão gostosa de se fazer. Você é tão linda, tão linda a ponto de despertar em mim dó de acordar você.. Por isso fui embora sem ter dar tchau. Mas o beijo em sua testa eu dei antes de sair, com a certeza de que tudo aquilo era meu. Eu te amo namorada! Até amanhã."
Não sei se meu subconsciente estava acostumado a nunca ficar feliz, mas era tudo tão perfeito que eu achei estranho. E em vez de me alegrar com os acontecimentos só aumentou meu receio. Minha preocupação de quando tudo iria começar a dar errado novamente.
Mas parece que minha resposta estava próxima. Os dois dias que se seguiram trouxeram consigo a diminuição. Richard ainda estava um "príncipe", mas eu percebia que aos poucos ele ia se esfriando.
Durante a quinta-feira os beijos que ele me deu era possível contar em dedos de uma mão só. Na sexta, houve algumas discussões sobre o comportamento dele, o que quase provocou uma segunda briga. O conflito de opiniões pode não ter feito com que brigássemos, mas deixou em nós um clima horrível. Ambos quase choraram com a situação. E mesmo depois de "tudo" resolvido, a maneira como nos despedimos não era tão intensa como antes. Parecia que tudo estava voltando.. Parecia que era só nos "conectarmos" que as coisas começavam a dar errado outra vez. Parecia que a certeza que eu dava de que pertencia a ele, o fazia esfriar. As mudanças de humor causavam apavoro em mim. Apavoro de menos sentimento.

O9 de Janeiro de 2O1O. Sábado de manhã. Era um dia como todos os outros pra mim. Acordei não muito animada e sem expectativas, se houvesse algum sentimento em mim era apenas o de medo e o de amor.  O sol estava irradiante como nunca o que normalmente sempre aumentava meu astral, mas não naquele dia. Logo após o almoço, exatamente as 12:00h Richard me ligou.

- Sophie?
- Oi!
- Vai sair hoje?
- Não amor.. Porque?
- Vou passar aí mais tarde tá bom?
- Tudo bem!
- Beijo.

E desligou. Foi objetivo e frio. Não deu explicações, e nem soltou palavras que expressassem carinho. Eu estava neutra até então, mas depois daquela ligação pode se dizer que acrescentei sinais de "subtração" em meu ânimo. Eu não sabia ao certo o que Richard iria fazer em casa mas preferi tentar não brincar de adivinhações sozinha.

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