A casa dos fundos.
Página 48.
Eu estava com aquele "frio na barriga" que alguns chamam de adrenalina. Sua maneira "não-amorosa" de ser no telefone já tinha me constrangido, eu estava com medo de saber o que vinha pela frente.
Esperei quase 20 minutos no portão e nada dele. Mandei um Sms..
"Ainda estou esperando."
Mais 10 min. E finalmente o avistei com a pior das afeições.
Ele abriu o portão, mas não me convidou para entrar. Ficou lá me olhando na porta de seu quintal. Eu tentei bancar a "Júlia Roberts" dando-lhe um selinho e um super sorriso como se nada tivesse acontecido. Comecei a puxar assunto, mas ele permanecia seco. Só respondia o que eu perguntava e em momento algum olhou em meus olhos. Fingir que aquilo era comum estava começando a ficar complicado. Tentei lembrá-lo então do que ele me pediu..
- Amor, vamos gravar nossa aliança vai? O símbolo que como você mesmo disse, representa que nosso amor é forte.
Ele me olhou com "cara de reprovação".
- Já disse, se quiser ir.. Vai você!
- Mas eu também tive um dia cansativo, assim como você. - Mentiras às vezes são necessárias - E eu já trouxe tudo, a caixinha está aqui no meu bolso junto com a notinha.
Ele permaneceu em silêncio, não me respondeu.
Ele era tão bipolar se é que eu posso chamar assim, e aquilo me "detonava". Meu estado emocional era tão instável quanto ele. Comecei até a ficar com medo de coisas boas, porque quando se tratava de Richard, sabia que as ruins vinham logo em seguida. Completamente confusa eu estava. Em um dia eu ouvia juras de amor que me dava à certeza de todas as certezas. No outro, ele parecia um garoto completamente estranho que apenas me 'suportava'.
Ele quebrou meu ritmo de pensamentos com suas palavras..
- As coisas já estão aí?
- Sim.
- Então vamos entrar, vou me arrumar e nós vamos!
Eu sorri, insegura, mas demonstrei o alívio.
Entramos e ele se trocou.. O céu estava escuro, o que indicava chuva. Mas como tudo seria rápido, achamos que daria tempo. Porém, por via das dúvidas, dona Adriana quase obrigou Richard a levar o guarda-chuva.
De mãos dadas fomos caminhando.. E de novo ele já havia mudado. Não estava carinhoso, nem era o garoto por quem eu tinha me apaixonado, mas estava legal comigo.
Ao chegar no shopping, minha ansiedade me consumiu. Tudo que mais queria era sair dali com o anel em meu dedo. Mas, pra piorar o que já não estava tão bom assim, a luz tinha acabado por lá. Escadas rolantes paradas e a loja de nossa aliança.. Fechada.
Esperamos em torno de uns 30 minutos, mas tudo permaneceu escuro. Então resolvemos ir embora, e eu tive que disfarçar a decepção e o medo de deixá-lo mais bravo do que já estava.
Ao sairmos, estava um "temporal". A chuva forte molhava as ruas do bairro. Duas pessoas e apenas um guarda-chuva, e por mais que andássemos grudados, quando batia o vento, nossos rostos se molhavam. Ficamos então em baixo de uma cobertura abraçados e esperando "estiar". Nesse meio tempo, o nervoso se tornou carinhoso para minha felicidade, talvez por eu ser a única companhia, mas o motivo pouco me importava perto do resultado. Definitivamente era confuso tentar entendê-lo, mas eu não precisava compreender nada contanto que ele estivesse amoroso comigo.
Voltamos pra casa dele, mas ele não me levou até a minha. Desci a ladeira na chuva e no escuro até chegar em casa, mas ninguém precisava saber disso.
No dia seguinte, a normalidade mediana de Richard voltou, e nós finalmente conseguimos gravar nossos nomes: "Sophie e Richard 28/1O/O9".
Como o sol que irradiava no céu trazia o esquecimento da noite tempestiva anterior, resolvi ficar um pouco a mais na casa dele. E foi nesse meio tempo que dona Adriana disse..
- Deixa eu ver a aliança de vocês.
Eu sorridente mostrei. Ela porém não sorriu, apenas observou e perguntou..
- Está feliz né?
- Sim, muito!
Permaneceu calada e de forma chula de se dizer "fechou a cara". Sua reação me surpreendeu, sem ter o que fazer diante daquela situação, mantive a monotonia do silêncio outra vez. Aquilo então ficou "martelando" em minha mente. Não trocamos uma palavra desde então.
Quando ela saiu a primeira coisa que fiz foi perguntar a Richard o porquê daquela forma de agir de sua Mãe.. Ele desviou o olhar..
- Nada.
- Amor, fala!
- Não.. Não é nada.
Ele precisava aprender a mentir melhor. Eu sabia quando ele me escondia algo, e dessa vez era evidente.
- Por favor, me conta! Prometo que não vou ficar chateada.
Em sua face era transparente a preocupação da maneira que eu ia reagir, mas ele sabia como eu era insistente quando queria algo, então resolveu logo falar..
- É que.. Quando eu disse pra minha Mãe que ia comprar uma aliança pra nós dois, o sorriso que estava estampado no rosto dela sumiu. Pediu pra mim sentar ao lado dela pra conversarmos, e nisso ela me disse que..
- Que?
- Que..
Eu estava com aquele "frio na barriga" que alguns chamam de adrenalina. Sua maneira "não-amorosa" de ser no telefone já tinha me constrangido, eu estava com medo de saber o que vinha pela frente.
Esperei quase 20 minutos no portão e nada dele. Mandei um Sms..
"Ainda estou esperando."
Mais 10 min. E finalmente o avistei com a pior das afeições.
Ele abriu o portão, mas não me convidou para entrar. Ficou lá me olhando na porta de seu quintal. Eu tentei bancar a "Júlia Roberts" dando-lhe um selinho e um super sorriso como se nada tivesse acontecido. Comecei a puxar assunto, mas ele permanecia seco. Só respondia o que eu perguntava e em momento algum olhou em meus olhos. Fingir que aquilo era comum estava começando a ficar complicado. Tentei lembrá-lo então do que ele me pediu..
- Amor, vamos gravar nossa aliança vai? O símbolo que como você mesmo disse, representa que nosso amor é forte.
Ele me olhou com "cara de reprovação".
- Já disse, se quiser ir.. Vai você!
- Mas eu também tive um dia cansativo, assim como você. - Mentiras às vezes são necessárias - E eu já trouxe tudo, a caixinha está aqui no meu bolso junto com a notinha.
Ele permaneceu em silêncio, não me respondeu.
Ele era tão bipolar se é que eu posso chamar assim, e aquilo me "detonava". Meu estado emocional era tão instável quanto ele. Comecei até a ficar com medo de coisas boas, porque quando se tratava de Richard, sabia que as ruins vinham logo em seguida. Completamente confusa eu estava. Em um dia eu ouvia juras de amor que me dava à certeza de todas as certezas. No outro, ele parecia um garoto completamente estranho que apenas me 'suportava'.
Ele quebrou meu ritmo de pensamentos com suas palavras..
- As coisas já estão aí?
- Sim.
- Então vamos entrar, vou me arrumar e nós vamos!
Eu sorri, insegura, mas demonstrei o alívio.
Entramos e ele se trocou.. O céu estava escuro, o que indicava chuva. Mas como tudo seria rápido, achamos que daria tempo. Porém, por via das dúvidas, dona Adriana quase obrigou Richard a levar o guarda-chuva.
De mãos dadas fomos caminhando.. E de novo ele já havia mudado. Não estava carinhoso, nem era o garoto por quem eu tinha me apaixonado, mas estava legal comigo.
Ao chegar no shopping, minha ansiedade me consumiu. Tudo que mais queria era sair dali com o anel em meu dedo. Mas, pra piorar o que já não estava tão bom assim, a luz tinha acabado por lá. Escadas rolantes paradas e a loja de nossa aliança.. Fechada.
Esperamos em torno de uns 30 minutos, mas tudo permaneceu escuro. Então resolvemos ir embora, e eu tive que disfarçar a decepção e o medo de deixá-lo mais bravo do que já estava.
Ao sairmos, estava um "temporal". A chuva forte molhava as ruas do bairro. Duas pessoas e apenas um guarda-chuva, e por mais que andássemos grudados, quando batia o vento, nossos rostos se molhavam. Ficamos então em baixo de uma cobertura abraçados e esperando "estiar". Nesse meio tempo, o nervoso se tornou carinhoso para minha felicidade, talvez por eu ser a única companhia, mas o motivo pouco me importava perto do resultado. Definitivamente era confuso tentar entendê-lo, mas eu não precisava compreender nada contanto que ele estivesse amoroso comigo.
Voltamos pra casa dele, mas ele não me levou até a minha. Desci a ladeira na chuva e no escuro até chegar em casa, mas ninguém precisava saber disso.
No dia seguinte, a normalidade mediana de Richard voltou, e nós finalmente conseguimos gravar nossos nomes: "Sophie e Richard 28/1O/O9".
Como o sol que irradiava no céu trazia o esquecimento da noite tempestiva anterior, resolvi ficar um pouco a mais na casa dele. E foi nesse meio tempo que dona Adriana disse..
- Deixa eu ver a aliança de vocês.
Eu sorridente mostrei. Ela porém não sorriu, apenas observou e perguntou..
- Está feliz né?
- Sim, muito!
Permaneceu calada e de forma chula de se dizer "fechou a cara". Sua reação me surpreendeu, sem ter o que fazer diante daquela situação, mantive a monotonia do silêncio outra vez. Aquilo então ficou "martelando" em minha mente. Não trocamos uma palavra desde então.
Quando ela saiu a primeira coisa que fiz foi perguntar a Richard o porquê daquela forma de agir de sua Mãe.. Ele desviou o olhar..
- Nada.
- Amor, fala!
- Não.. Não é nada.
Ele precisava aprender a mentir melhor. Eu sabia quando ele me escondia algo, e dessa vez era evidente.
- Por favor, me conta! Prometo que não vou ficar chateada.
Em sua face era transparente a preocupação da maneira que eu ia reagir, mas ele sabia como eu era insistente quando queria algo, então resolveu logo falar..
- É que.. Quando eu disse pra minha Mãe que ia comprar uma aliança pra nós dois, o sorriso que estava estampado no rosto dela sumiu. Pediu pra mim sentar ao lado dela pra conversarmos, e nisso ela me disse que..
- Que?
- Que..
ain, não para assim, da uma ansiedade daquelas, vou morrer aqui D:
ResponderExcluirE como da ansiedade D:
ResponderExcluirto amando a história *-----*
sua historia estar lindaa nayara parabéns lindaaaa
ResponderExcluirby:barbara diniz
Que bom! Fico super feliz em saber que estão gostando da história! Espero que continuem assim, mesmo no clímax dela. Obrigado á todas (os) ♥
ResponderExcluir