A casa dos fundos.

Página 34.


- Me dá um abraço?

Ele me abraçou bem forte e pediu perdão ao pé do meu ouvido. Meus olhos, com o brilho de lágrimas que não foram derramadas voltou-se para ele.

- Eu te amo. E espero que nunca mais me arrependa de dizer isso.

Ele sorriu.

- Você não vai se arrepender.

Meus braços que se envolviam em sua cintura, as apertava com força. Toda aquela situação despertou-me um medo de perdê-lo. Tudo que eu deveria sentir era raiva e decepção, mas parece que ele tinha algo que impedia qualquer sentimento ruim que eu viesse ter com ele. Então ignorei tudo que estava sentindo e me foquei apenas em aproveitar a presença e o carinho que ele me dava.
Depois de passar os primeiros minutos do novo ano de uma maneira não tão agradável, descemos para ver se tinha algo de bom passando na televisão e para nos surpreender - ou talvez fosse óbvio - não tinha.

Eu me sentei de maneira com que minhas costas se aconchegassem no canto do sofá,  Richard apoiou sua cabeça no meu peitoral e fiz cafuné nele enquanto conversávamos. Quebrando um silêncio e outro que surgiu, Richard manifestou-se, e se virou para olhar para mim.

- Eu te amo tanto e tenho tanta certeza que vou estar com você pro resto da minha vida, que quero você inteira, que seja toda minha, agora e para sempre.

O som das palavras em meu ouvido era encantador. Mas não era claro o bastante.

- O que você quis dizer com isso amor?!

Se ajeitando, colocou-se de maneira que seu corpo ficasse por cima do meu e vagarosamente me beijou. Seu beijo era romântico e de maneira com que fizesse eu apreciá-lo sem pressa para acabar. E lentamente, a intensidade em que nossas línguas se encontravam iam aumentando. Richard sugou meu lábio inferior, penetrando em meus olhos com o seu olhar. Suas mãos iam alisando minha cintura com a devida força do momento. Sentia arrepios enquanto seus dedos brincavam com meu umbigo. Minha mão em sua nuca conseguia apenas puxar alguns fios dos cabelos que se aproximavam de seu pescoço. Enquanto mordia meus lábios, Richard subiu sua mão por baixo de meu vestido e seu toque provocou "erupções" que aumentavam incontrolavelmente. Nossas respirações estavam ofegantes. Fiz com que minha mão o explorasse também e pudi sentir seu corpo responder de maneira positiva ao meu contato. Turbilhões de sensações e desejos me invadiam, meu coração estava acelerado. Entre o som das batidas do meu coração e a respiração ofegante de Richard ouvi a campânhia tocar. Nos assustamos e com dificuldade paramos de nos beijar. Eu me ajeitei, ele também. Interrompidos mais uma vez, porém, desta vez a "chama" ainda não tinha apagado, se é que posso dizer assim.

Respirei fundo exatas três vezes e fui abrir o portão, era Valerie. Tinha chegado mais cedo da casa das vizinhas e seu olhar exalava exaustão. Sentou-se no sofá e conversamos um pouco, eu ela e Richard. Até que a conversa se concentrou apenas neles dois. Foquei minha visão em um ponto fixo, mas meu pensamento estava longe. Era como se de repente, aqueles famosos "anjinho do bem e anjinho do mal" que aparecem um em cada ombro dos desenhos animados no caso de dúvida, tivesse aparecido dentro da minha mente. Eu não tinha me dado conta ainda, do que - de novo - quase acabará de fazer. Além dos meus princípios e do que considerava certo, diferente da vez anterior, Richard tinha acabado de confessar que me traiu e eu quase me entreguei a ele. Qual era o sentido disso?! Ao analisar parecia a maior "burrada" do mundo. Eu estava sendo "fácil", e nada que é fácil valia a pena e eu sabia disso. Talvez o relacionamento perderia toda a graça depois que ele já conhecesse "tudo" de mim. E talvez a palavra "não" o mantivesse comigo até o nosso casório - sim, eu realmente acreditava que um dia, depois de entrar na igreja ao som da marcha nupcial, seria ele que estaria me esperando no altar -. Mas o outro lado, sussurrava que talvez não tivesse problema e talvez até fosse o certo. Só é errado, quando um casal não fica junto para sempre e eu tinha a certeza - apesar de tudo - que Richard era pro resto da minha vida. E que se eu fosse a primeira dele, eu seria a ultima. E o ato de demonstrar meu amor em forma carnal á ele, talvez demonstrasse que mesmo após tudo que ele fez, meu sentimento por ele seria capaz de perdoá-lo e fizesse com que ele se sentisse culpado e nunca mais repetisse o erro. Talvez tudo isso fizesse ele perceber que eu sou a mulher da vida dele. Eram "Blá, blá e blás" atordoando minha mente, e todos aqueles pensamentos só resultavam em uma finalidade: a minha decisão.
Fui despertada do meu - entre aspas - próprio interior, quando Valerie anunciou que iria subir e dormir. 


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