A casa dos fundos.

Página 15.

A semana passou mais rápido do que eu imaginava. E Derick repetiu a rotina de ir em casa jogar comigo pelo menos mais umas duas vezes e perdeu de mim em todas elas.

No domingo, combinamos de ir dar uma volta no shopping que tinha perto de casa. Marcamos 15h em frente ao ponto de ônibus que havia na rua da escola. Eu cheguei primeiro que ele, encostei-me no ponto e deixei o som dos carros na avenida fazerem minha mente viajar.


- Psiu! Ei.. psiu!


Eu já estava acostumada com os Senhores de idade para ser meu avô "mexendo" comigo na rua. Mas dessa vez a voz não era de um idoso, muito menos de um adulto. Então deixei uma pequena carteira de mão que tinha levado, cair, para quando eu me abaixasse para pega-la, disfarçadamente olharia para ver quem era. E assim o fiz. Para o meu espanto lá estava ele, Richard, ao me observar descaradamente. Me virei rapidamente e fingi que não o vi.
Fiquei aflita. Rich ainda não sabia de Derick, e eu não queria que ele pensasse coisas erradas ao meu respeito. Pensei em cumprimentar Derick só com um abraço. Pensei em ir falar com Richard e contar á ele o que estava acontecendo. Pensei até em ir embora. Mas, meus pensamentos foram interrompidos quando vi, Derick, Mikaelly e Letícia vindo em minha direção.
Meus olhos piscaram com mais agilidade. Não podia acreditar no que eu estava vendo. Derick estava trazendo Letícia ao nosso encontro? Por mais que eles não tinham mais nada juntos, ela era minha amiga e eu estava com o ex dela. Pois é, eu tinha sim aquela tal da “vergonha na cara”.  A única coisa que me tranquilizava saber que ela tinha dito a Mikaelly que não se importava no fato dele estar comigo.
Derick atravessou a rua e antes mesmo que eu pudesse me lembrar de quem estava me observando, me deu um selinho demorado e vários outros pelo meu rosto. Cumprimentei Micka com um abraço e Letícia com um beijo no rosto. Lembrei-me de Richard. E olhei para trás para ver se ele ainda estava lá. E.. estava. Intacto. Parado, sem reação. Quando seus olhos se encontraram com o meu, ele abaixou a cabeça e entrou para sua casa. Eu fiquei, figurativamente dizendo, “com o coração na mão”.
O clima permaneceu tenso. Olhares se batendo e o único som presente era o dos veículos que se movimentavam na rua. O silêncio em nossas bocas era gritante. Eu estava preocupada com duas coisas naquele momento: Os pensamentos de Letícia e a reação de Richard. Derick quebrou a ausência das palavras:

- Vamos Sophie?


Me virei para as meninas.


- Vocês não vão conosco?


Meu rosto era monótono, mas meu coração estava torcendo para que a resposta fosse negativa. Porque só eu sabia naquele momento, o quanto é ruim estar na presença de alguém que é ex do seu atual. Imaginar eles juntos, as brigas e entendimentos, os beijos e as intimidades. Imaginar se houve algum sentimento, se você é a “pedra no caminho” ou vice-versa. 


- Não! Só viemos aqui te ver. Derick não deixaria que nós estragássemos o momento á dois de vocês.

-Ah! Que pena! Deixa para a próxima então né?

Uma coisa em que eu sempre tive dom, definitivamente era a ironia.


- Ok! Tchau Sophie, tchau Dé.


E foram embora. Que Alívio! Tentei relaxar minha mente. Me explicaria para o Richard mais tarde, então só precisava aproveitar aquele momento enquanto durava.

Comentários

  1. [aaa] que maldade ela está fazendo com o Richard =/

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  2. No fundo, toda boazinha (o) tem seu lado vilã, e toda vilã tem seu lado boazinha (o) :)

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