A casa dos fundos.


Página 28.


- Não.. Nada. Ele só ficou até agora lá porque esta ajudando o primo dele. O Kleber!
- Ah tá bom. Quando ele chegar a Senhora poderia pedir pra ele me ligar?
- Peço sim.
- Obrigado. Beijos!

E desliguei. Mais outra coisa pra ficar "martelando" em minha cabeça. Nosso relacionamento estava definitivamente bipolar. E a única coisa que eu podia fazer era esperar e ouvir a versão dele. Porém, o mais contraditório da situação.. Era que quanto mais essas modificações me faziam passar de garota feliz para garota triste em segundos, mais meus sentimentos por ele cresciam. Parecia que inconscientemente eu sentia prazer naquilo. 
O dia passou rápido e quando eu decidi pegar a toalha para tomar um banho, vestir um pijama e abraçar a cama, meu celular tocou.

- Amor?
- Oi?
- Tudo bem linda? É o Richard, estou ligando do celular do meu primo.
- Ah, estou bem.
- Amor você pode subir aqui em casa agora? Acabei de chegar e queria muito matar a saudade de você.
- Se quisesse tanto, teria vindo mais cedo.
- É que não deu, meu outro primo estava precisando de ajuda lá, e Kleber e eu resolvemos dar uma mãozinha, afinal somos da família.
- Hum.. Sei. Tá bom. To subindo aí então, mas não vou demorar, tenho muita coisa pra fazer.

Na verdade eu não tinha nada, mas ele não precisava saber disso.

- Tá bom, Estou te esperando. Tchau amor.
- Tchau!

Assim que se encerrou a chamada avisei pros meus pais, peguei o presente de Richard e fui até sua casa. Ele me recebeu com todo carinho que um garoto pode dar a sua namorada. Mas não quis entrar, apenas fiquei com ele em frente ao portão. Ele não tocou mais no assunto a respeito de sua demora. Trocamos carícias até que ele lembrou..

- Amor, quase ia esquecendo.. Toma seu presente.

E me entregou uma embalagem da C&A. E eu particularmente sempre gostei das roupas de lá, e fiquei feliz por pensar que meu namorado conhecia meus gostos. Então abri o presente com entusiasmo. Era uma blusa frente única, pequena, decotada, toda listrada de branco e verde piscina. Entre todas as coleções lindas que a C&A lança todo ano, ele conseguiu achar a única peça que não tinha nada haver comigo. O presente era tão ousado que além de listras que eu nunca fui fã, se eu a usasse seria a mesma coisa de estar dizendo: "Tô fácil". Era decepcionante.

- Ai que linda! Eu adorei. Obrigada!

Ainda bem que eu sabia disfarçar a irônia. - As aulas de teatro finalmente serviram para alguma coisa - E fazer ele pensar que eu gostei do que recebi era a melhor forma de tudo aquilo acabar bem. Entreguei o presente dele com medo de que a reação dele fosse a mesma que a minha. Mas o fiz. E se ele estivesse mentindo, deveria ter ganho o Oscar de melhor encenação. Porque demonstrou sem constrangimento do quanto tinha gostado. 
Logo após as trocas de presente eu voltei para minha casa. Já ia escurecer e nunca fui fã de ficar a noite sozinha na rua.
Todo aquele clima que rolava dentro de mim - e parecia que só dentro de mim - de incômodo com as histórias mal contadas de Richard finalmente passou. E naquela semana entre natal e ano novo, além de encher nosso relacionamento de sentimento e carinho, Richard resolveu colocar "chamas" em nosso amor.
Em outro domingo, para ser mais precisa no dia 27 daquela semana, ele veio aqui em casa. Meus pais estavam vendo televisão na sala, então nós subimos para meu quarto, íamos assistir um filme. Eu já tinha feito pipoca e lambuzado elas de manteiga do jeito que ele gostava. Richard estava lindo aquele dia. Exalava um perfume masculino exuberante também. Ele sentou na cabeceira da cama com os pés em cima dela. E eu logo ao lado dele, deitada em seu peitoral, com os braços envolvendo sua cintura. 
O filme não era bom o suficiente para prender nossa atenção. A pipoca acabou antes mesmo de a história chegar a metade. Então ele começou a me encarar..

- O que foi amor?

- Só estou olhando o quanto sou sortudo em ter você aqui comigo.

Eu sorri, beijei seu queixo e voltei a encostar minha cabeça em seu ombro. E então, minutos depois, ele começou a se mexer de maneira que seu corpo dizia claramente que estava incomodado, só não dizia com o que.


- Eita, Está com formigas nas calças?


Nós rimos.


- Formigas é? Vou te mostrar as formigas..


Ele me empurrou de encontro a cama e me fez deitar nela, começou a fazer cosquinhas em mim constantemente e me fez rir de uma maneira quase inacabável. 

- Vai.. fala que eu tenho formigas nas calças agora!

Ele dizia em tons de engraçados.


- Seu formiguento!

Falava com esforço no meio das loucas risadas que saia de minha boca.


- Aé? Você vai ver agora!


Então ele se colocou em cima de mim de uma maneira com que sua boca encostasse em meu abdômen, levantou apenas um pouco minha blusa e começou a fazer “cosquinhas” em minha barriga, em um movimento que fazia "borbulhas" com seus lábios. A vontade de rir incontrolavelmente em mim era intensa. Soltei gargalhadas e mais gargalhadas. Meu maxilar já estava começando a doer, quando ele parou com suas “cosquinhas” e ficou imóvel. Eu pensei que era algum tipo de brincadeira. Então só esperei. Peguei fôlego, respirei fundo. Mas ele continuava ali.. "congelado". Resolvi perguntar..


- Que foi amor?


Sem se mexer, da mesma maneira que estava, ele me respondeu..


- Desculpa. Eu tentei. 


E seus lábios encostaram outra vez no meu umbigo, mas diferente de alguns minutos atrás, dessa vez ele ia passando os lábios pela minha pele de maneira leve e delicada.


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