A casa dos fundos.

Página 23.

Afastamos-nos de Chuck o suficiente para que ele não ouvisse a conversa. Richard ficou me encarando.


- Fala Gracinha.. Aconteceu alguma coisa?
- Não mais vai acontecer!
- O que?!
- É que.. É que..
- Fala logo!

Eu fiquei aflita, não sabia o que pensar.

- É que assim..

Ele parecia muito nervoso, suas mãos estavam tremulas e era perceptível.

- Já que todo mundo está falando eu vou te pedir em namoro.

Eu não acreditava que ele estava me pedindo em namoro daquele jeito, aquilo não era um pedido. Parecia que ele estava fazendo algo por obrigação.

- Richard, você tem que fazer algo só se você quiser e não porque os outros estão falando!
- Não.. É que eles estão falando muito sobre isso então acho que já ta na hora de eu pedir.
- É o que eles acham! Mas é o que você quer?  Porque eu não vou aceitar algo que você esta fazendo por causa dos outros.
- Não é assim! Eu quero também, se não eu não estaria pedindo!

Eu fiquei em silêncio.. e ele ficou me olhando. Esperando a resposta.

- E aí, você quer?
- Bom.. Se você realmente está pedindo porque é algo que você quer também.. Eu aceito!

Não era o tipo de pedido dos sonhos, aqueles que todas as garotas sempre quiseram ter. Não teve nada de romântico e nada que me surpreendesse. Mas essa sensação passou quando.. Ele abriu um sorriso que na forma figurativa de se dizer, deu voltas pelo seu rosto. Ele me abraçou bem forte e ficou minutos assim.. Sem se importar com quem estava nos esperando!  Ele encheu meu rosto de beijos.. Eu percebi que ele estava feliz.


- Desculpa interromper.. Mas eu já estou indo embora tá bom?
- Ta cara, vai lá.. Falows!


Eu dei um super abraço em Chuck. - Por mais que não éramos amigos tão próximos assim, eu adorava os abraços dele, me sentia protegida. - Nos cumprimentamos e ele foi embora.

- Gracinha, eu também já tenho que ir. O próximo ônibus que vir.. Eu vou pega-lo tá bom?
- Então fica coladinha aqui comigo para eu não morrer de saudades.

E assim fizemos.. Ficamos colados, trocando selinhos e carícias. Palavras bonitas e elogios. Quando avistei que o ônibus estava se aproximando me despedi com um beijo carinhoso.

- Tchau Richard!
- Tchau Sooophie!

Assim que eu estava subindo as escadas do veículo, ele disse:

- Eu te amo!

E eu não sei o que aconteceu comigo naquele momento que eu respondi..

- Eu também te amo!

E entrei. Apesar de gostar muito dele, eu ainda não amava Richard. Eu falei por impulso, por emoção do momento e me arrependi. Mas o que eu estava sentindo era forte e a minha segurança feminina me garantia que um dia ainda seria amor.

Na colégio, permanecemos com a mesma rotina.  Mas as garotas o assustavam, dizendo que ele tinha que ser perfeito, porque eu antes só havia namorado com garotos mais velhos. Enquanto Lorrane, Duda, Mikaelly dizia a ele que tinha que me respeitar, me encher de carinho e ser um eterno cavalheiro comigo. Chuck, George e companhia dizia a ele que tinha que ter a famosa "pegada", porque caso contrário ele iria parecer apenas um garotinho para mim. Os garotos não sabiam nada sobre a minha vida. Tudo que eu sempre quis foi um garoto que não se importasse com essa coisa de "atração carnal". Mas eu não sei o que se passava na cabeça de Richard e sinceramente eu não queria perguntar. Fora isso, tudo andava normalmente durante a escola.
Comemoramos nosso primeiro mês juntos de uma maneira digna: colados um ao outro. Nós éramos praticamente "inseparáveis". As aulas acabaram e se iniciaram as férias. O que significava que as coisas iriam ficar um pouco mais complicadas.. Afinal, o que iríamos fazer? Nós não íamos mais nos ver todos os dias.. era o que eu pensava. Mas na verdade, as férias não atrapalharam em nada. Ele veio aqui em casa e conheceu meus pais. Minha mãe me encheu de elogios na frente dele. E ele gostou muito da minha família.

Ficávamos juntos umas três horas por dia. E em um certo domingo, eu fui vê-lo. Não conhecia a mãe dele ainda, então ficamos na calçada em frente a sua casa. Ele tinha uma sobrinha linda.. chamada Natasha. E enquanto me distraia brincando com ela, ele me surpreendeu mas uma vez.

- Sophie, hoje é seu dia. Vou te levar pra conhecer minha mãe!

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