A casa dos fundos.
Capítulo II
Laços.
Página 20.
Quando estava indo para a escola, percebi que só eu estava subindo a ladeira. Muitos alunos estavam descendo. Então liguei para Duda.
- Duda, vai ter aula?
- Claro que vai, sobe logo, você vai chegar atrasada.
Apressei meus passos e subi o mais rápido que pude. Ao chegar perto da escola, encontrei Duda, descendo também.
- Ué, você não disse que ia ter aula?
- Você acreditou?
Ela deu várias e várias risadas de mim.
- Isso não se faz! Idiota! Eu subi igual a uma louca.
- Pois é, mas agora que você já está aqui, aproveite.
Ela apontou pra Richard e seu grupo de amigos. Eu entendi o recado, mas eu não iria até ele.
- Duda, você quer mesmo que eu de uma de garota desesperada e chegue no meio de um monte de garotos e fale: "Oi Richard, não teve aula mas estou aqui porque quero te ver!" - Soltei uma risada irônica - Não mesmo!
- Você e seu orgulho bobo. Vou descer! Você que sabe. E desculpa pela brincadeira, só queria ajudar.
- Tá perdoada! Eu dou um jeito. Tchau!
Quando me despedi de Duda, percebi que Richard já tinha me notado. Ele estava em frente a loja de doces do outro lado da rua olhando em minha direção. Eu não podia ficar parada sozinha, seria um ato desesperado. Precisava pensar rápido, então coloquei meus "neurônios femininos" em ação, logo quando avistei George, Jolie, Chuck, Lorrane e Mikaelly em frente a escola. Salva pelo gongo mais uma vez. Fui até eles.
Começamos a conversar e a rir de coisas fúteis por um bom tempo. Até que eles se cansaram e falaram que iam embora. E Richard não tinha se movido do lugar. Ele ficava me observando, mas parece que o laço que ele tinha com aqueles amigos dele, era muito mais forte.
Todos se despediram e desceram. A minha sorte era que Jolie era namorada de George (George - O menino que ficou gritando o meu nome do outro lado da rua na primeira vez que beijei Richard). E como a maioria dos namorados pensa: beijar é melhor do que ficar em casa sem fazer nada. Parecia a cena perfeita. Um casal namorando e eu ao lado "segurando vela". Se ele não viesse até mim naquele momento, ele não viria mais.
Mas, Richard pelo visto, era do tipo de garoto que esperava quase perder para ir atrás. E foi quando eu dei tchau para George e Jolie, que ele atravessou a rua e veio falar comigo.
- Oi.
- Oi.
- Você está linda.
- Obrigado.
- Recebeu meu sms?
- Sim.. não respondi, porque como sempre, não sabia o que dizer.
- Não precisava dizer nada. Era só concordar em deixar que eu fizesse valer a pena.
- É? Como?
- Só estava esperando você perguntar..
Envolveu seus braços em minha cintura e encostou seu corpo no meu. Ele me beijou com todo romantismo que poderia haver em um garoto de 14 anos. E pela primeira vez, ao saborear seus lábios eu senti "borboletas em minha barriga". Foi mágico. E eu não estava com pressa de terminar. Entre selinhos.. Eu disse á ele:
- Vamos para trás da escola. Aqui passa muita gente. Não quero ficar mal falada e também não quero parar de te beijar.
Ele sorriu.
- Você que manda.. Minha japinha!
De mãos dadas demos á volta na escola. A rua era vazia. E os moradores pareciam ser bem discretos. Encostamo-nos em uma árvore. Trocamos beijos e sorrisos durante horas. Ele me dava carinho apenas com seu olhar, como ninguém nunca tinha feito antes. Até que ele olhou no relógio. E a primeira coisa que veio na minha cabeça foi que eu não deveria ter demonstrado demais o que estava sentindo, ele já queria se livrar de mim. Mas meus pensamentos foram interrompidos com uma pergunta que me pegou de surpresa:
- Posso te levar para conhecer minha irmã?
- Como é que é?
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